EUA enviarão mais 35 mil soldados ao Golfo Pérsico

11 de janeiro de 2003 • 22h19 • atualizado às 22h19

Os Estados Unidos preparam o envio de aproximadamente mais 35 mil soldados para o Golfo Pérsico em caso de guerra contra Bagdá, enquanto inspetores de armas da Organização das Nações Unidas (ONU) percorreram mais locais no Iraque hoje em busca de armas de destruição em massa.

O departamento da ONU responsável pela observação de armas nucleares, que supervisiona o trabalho dos inspetores de armas, pediu aos Estados Unidos que ceda mais agentes especializados para ajudá-los na busca de armas banidas.

O apelo partiu de Mohamed El-Baradei, chefe da Agência Internacional de Energia Atômica (Aiea), enquanto autoridades européias se pronunciavam contra o que classificaram como pressa pela guerra baseada em inspeções de armas que nada provaram ainda. "Sem provas, seria muito difícil começar uma guerra", disse o coordenador de política externa da União Européia, Javier Solana.

A ordem dada na sexta-feira pelo secretário da Defesa norte-americano, Donald Rumsfeld, para que fossem enviados milhares de soldados para o golfo foi a maior convocação desde que o Pentágono começou publicamente a acionar soldados e forças nas últimas semanas. A meta é mais que duplicar os 60 mil soldados norte-americanos já presentes na região do golfo, enquanto o presidente George W. Bush decide se ordenará uma invasão do Iraque, acusando-o de possuir armas de destruição em massa.

Mais inteligência

El-Baradei se encontrou com a conselheira nacional de segurança dos EUA, Condoleezza Rice, na Casa Branca na última sexta-feira e em seguida reuniu-se com o secretário de Estado, Colin Powell.

Os encontros se deram um dia depois que El-Baradei e seu colega Hans Blix, chefe da Comissão de Monitoramento, Verificação e Inspeção das Nações Unidas (Unmovic), dizerem ao Conselho de Segurança da ONU que não há resíduos materiais que possam comprovar que o Iraque tenha armas químicas, biológicas ou nucleares.

O Iraque nega que tenha qualquer arma proibida. Entretanto, Washington diz que sim e que se o Iraque continuar a negar, estaria novamente em "violação material" das resoluções do Conselho - linguagem que pode significar guerra. "Nós precisamos de informações mais factuais", disse El-Baradei para repórteres em Washington após um relato para membros do Congresso dos EUA. "Nós temos um bom processo de diálogo com os Estados Unidos e com outras agências de inteligência e eu espero que em poucas semanas nós conseguiremos informações adicionais que possam acelerar nosso trabalho de campo", disse.

Com os olhos do mundo voltados para a Coréia do Norte, que admitiu desenvolver armas nucleares e abandonou o tratado de não-proliferação, autoridades norte-americanas insistem que o Iraque ainda é a maior ameaça, apesar do pouco que as inspeções encontraram.

Autoridades iraquianas disseram este sábado que equipes da Unmovic e da Aiea se dirigiram para cinco locais no centro do país. Uma equipe de armas biológicas da Unmovic inspecionou duas companhias estatais de remédios e equipamentos médicos na capital e uma equipe de armas químicas se dirigiu para um local não revelado ao norte de Bagdá. Uma equipe de mísseis visitou a base de Ibn Seena em Tarmiyah, ao norte de Bagdá, e uma equipe da Aiea foi a uma unidade do al-Amiriyah em Falluja.

Forças militares

As forças militares enviadas a campo até agora são substancialmente menores que os mais de 250 mil homens enviados a região para a Guerra do Golfo, em 1991, mas o pessoal deslocado para o novo conflito pode crescer rapidamente durante janeiro e fevereiro.

A Grã-Bretanha também está mobilizando suas forças paralelamente aos americanos, apesar das graves dúvidas do Partido Trabalhista inglês, do primeiro-ministro Tony Blair.

A outra importante força militar do bloco, a França, insiste em uma ordem internacional para que se comece a guerra. A Alemanha se opõe abertamente à idéia de atacar o Iraque. A Otan (aliança militar liderada pelos EUA), enquanto isso, poderia iniciar discussões formais nas próximas semanas se terá um papel de apoio em qualquer campanha militar contra o Iraque, disse uma fonte do Departamento de Estado norte-americano na última sexta-feira.

Os EUA já haviam proposto para a aliança formada por 19 nações que, em caso de guerra, a Otan poderia providenciar a defesa com mísseis ao sul da Turquia e disponibilizar aviões-radar da organização, bem como navios de patrulha e detectores de minas.

Em entrevista coletiva na última sexta-feira, a única referência do secretário-geral da Otan a uma possível guerra com o Iraque foi a de a organização apoiar a resolução das Nações Unidas que dá ao país a última chance para se desarmar.

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