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Presidente do Irã diz que Holocausto é mito

14 de dezembro de 2005 08h34 atualizado às 11h01

Ahmadinejad insistiu na política de confronto com o Ocidente . Foto: AP

Ahmadinejad insistiu na política de confronto com o Ocidente
Foto: AP

O presidente do Irã, o ultraconservador Mahmoud Ahmadinejad, disse que o Holocausto é um mito e voltou a sugerir que se transfira o Estado de Israel à Europa ou aos EUA, já que, nas palavras dele, são os ocidentais que devem pagar o preço.

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    Em comício na província meridional de Sistan-Baluchistan, o polêmico dirigente insistiu, além disso, em seu desafio à comunidade internacional e ressaltou que seu país não recuará em suas ambições nucleares. "Eles criaram um mito em nome do Holocausto judeu e os consideram acima de Deus, da religião e dos profetas", afirmou o governante na cidade de Zahedan, próxima da fronteira com o Afeganistão.

    "Se vocês cometeram este grande crime, então por que obrigam os oprimidos palestinos a pagar o preço? São vocês que devem assumir a responsabilidade", disse Ahmadinejad, em alusão ao Ocidente. "Esta é nossa proposta: entreguem uma parte de sua própria terra na Europa, nos Estados Unidos, no Canadá ou no Alasca, onde os judeus possam estabelecer seu país", insistiu.

    O presidente iraniano já havia feito a proposta na semana passada, durante a cúpula da Organização da Conferência Islâmica, realizada na Arábia Saudita. Na segunda-feira, voltou a expressar suas dúvidas sobre a existência do Holocausto e sugeriu que, se aconteceu, seriam os europeus e americanos que deveriam assumir as conseqüências. Sua hostilidade contra o Estado de Israel veio à tona em outubro, quando resgatou a idéia do aiatolá Khomeini, fundador da República Islâmica do Irã, e parafraseou sua descrição de Israel como "um tumor canceroso que deve ser erradicado".

    Suas palavras despertaram a reprovação da comunidade internacional e levaram Israel a ameaçar iniciar os trâmites para pedir a expulsão do Irã da ONU. Em seu pronunciamento, Ahmadinejad insistiu na política de confronto com o Ocidente empreendida a respeito das aspirações nucleares de seu país. "Tenham certeza de que não recuaremos quanto à defesa de nossos legítimos direitos em matéria nuclear", afirmou Ahmadinejad durante o discurso, transmitido pela televisão estatal.

    "Aprendemos de sua atitude passada e não vamos voltar a cair na armadilha de sua propaganda enganosa", acrescentou o governante, em aparente alusão às negociações que o Irã manteve no passado com a União Européia. O diálogo, empreendido pelo governo reformista precedente, rompeu-se em agosto, quando Ahmadinejad decidiu anular a interrupção temporária do programa de enriquecimento de urânio estipulada com os europeus e retomar a atividade na usina nuclear de Isfahan.

    Ainda assim, tanto a tríade européia - formada por Alemanha, França e o Reino Unido - como algumas instituições do regime iraniano se aproximaram para tentar recuperar a negociação. A polêmica está agora empacada na Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA). Os EUA, país que acusa o Irã de ocultar um programa para a aquisição de um arsenal de armas atômicas, pressionam para que o conflito supere o campo de responsabilidade da AIEA e chegue ao Conselho de Segurança da ONU, organismo com poder para sancionar.

  • EFE
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