Saddam Hussein voltou hoje à Corte para julgamento por crime contra humanidade |
Saddam reclamou sobre as condições em que foi trazido ao tribunal. Ele disse que retiraram sua caneta e papel, impedindo sua defesa. "Por que você confiscaria meus papéis e a caneta que preciso? Como posso me defender", perguntou Saddam.
Mais cedo, o juiz questionou Saddam sobre por que estava ligeiramente atrasado. "Eles me trouxeram até a porta e fui algemado. Eles não podem trazer o réu em algemas", disse Saddam, queixando-se que teve que subir quatro lances de escadas devido a um elevador quebrado. "Falarei com a polícia sobre isso", respondeu o juiz Amin. "Não quero que você fale para eles, quero que mande neles", replicou Saddam. "Eles são os invasores e você tem que mandar neles", disse.
O ex-ditador ainda solicitou ao juiz que envie um requerimento às tropas americanas para que ele seja bem tratado enquanto estiver preso.
Saddam entrou por último na sala do ex-quartel-general do partido Baath, na fortificada Zona Verde de Bagdá. Com um aspecto saudável, Saddam levava um exemplar do Corão sob o braço ao entrar no recinto quando desejou paz às "pessoas de paz". Dois dos acusados se levantaram em sinal de respeito. Assim como na outra ocasião, Saddam veste um terno e uma camisa branca sem gravata.
Os procedimentos do julgamento haviam começado no dia 19 de outubro, mas foram adiados por 40 dias para dar à defesa mais tempo para se preparar. Os advogados de defesa de Saddam conseguiram hoje incluir na equipe um estrangeiro, o ex-secretário de Justiça americano Ramsey Clark.
Os crimes de que Saddam e seus antigos colaboradores são acusados relacionam-se a eventos ocorridos em Dujail, 23 anos atrás. Os réus são acusados de mandar matar 148 xiitas da cidade depois de uma tentativa frustrada de assassinato contra Saddam, em julho de 1982. Eles poderão ser condenados à pena de morte no julgamento
Redação Terra