Um terço dos britânicos culpa as mulheres por estupros

21 de novembro de 2005 • 07h53 • atualizado às 10h40

Um de cada três britânicos considera que uma mulher não pode se queixar se for estuprada depois de ter flertado abertamente com alguém estando vestida de forma reveladora ou bêbada. Esse é o resultado de uma pesquisa encomendada pela Anistia Internacional que suscitou forte preocupação entre os grupos de apoio às vítimas da violência de gênero.

Um segundo relatório, também publicado hoje, atribui o desinteresse da polícia o fato de que muitas violações não são denunciadas e que poucos responsáveis são condenados. Apesar de terem aumentado nos últimos anos as denúncias de estupros, o número de penas por esse crime não variou.

Isso faz com que o índice de penas em relação às denúncias efetuadas caia de 33% em 1977 para pouco mais de 5% na atualidade. Segundo a primeira pesquisa, uma de cada cinco pessoas acha que a mulher tem culpa de ser estuprada se demonstrou promiscuidade sexual no passado.

Aproximadamente a mesma percentagem considera que se uma mulher caminha por uma zona perigosa ou abandonada e é sexualmente atacada, a culpa é sua pelo menos em parte. A percepção de mil homens e mulheres consultados para a sondagem da Anistia Internacional é muito similar no que se refere à atribuição da responsabilidade à própria vítima.

Vera Baird, deputada do Parlamento britânico que lidera uma comissão sobre a Mulher e o Sistema Penal Britânico, acha que, enquanto não for alterada essa atitude do público em geral, os júris que precisam decidir nos processos por estupro continuarão absolvendo muitos criminosos.

Entre 2004 e 2005, aconteceram na Grã-Bretanha mais de 12 mil violações, embora só 15% tenha sido denunciada à Polícia, segundo alguns cálculos.

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