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 Arafat só se distraía com "Tom e Jerry"
11 de novembro de 2005 09h44 atualizado às 09h50

Só o desenho animado americano "Tom e Jerry" fazia o ex-presidente da Autoridade Nacional Palestina (ANP) Yasser Arafat, morto há um ano, parar seu trabalho. Pelo menos é isso que Sami Musalam, que passou 20 anos junto a Arafat, disse em entrevista concedida à EFE.

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    "O único que o presidente Arafat gostava de fazer fora de seu trabalho era ver ''Tom e Jerry''", conta Musalam. O maior ícone do nacionalismo palestino se divertiria tanto com o desenho que "os procurava nos canais árabes via satélite". As declarações de Musalam contrastam com a imagem tradicional de Arafat, de um homem 100% dedicado a seu trabalho, sem vida pessoal.

    O próprio Musalam, desde fevereiro de 2004 governador do distrito de Jericó, insiste em que "não existia o descanso na vida de Arafat. Seu repouso era seu trabalho e quando não trabalhava estava tenso". Sinólogo, com estudos em universidades de Bonn, Viena, Beirute, Ramala e Itália, Musalam era especialista na estratégia nuclear chinesa antes de se transformar em representante da Organização para a Libertação da Palestina (OLP) em Pequim.

    Depois retornou a Beirute para começar a trabalhar diretamente com Arafat em 22 de janeiro de 1979 e a partir de então até o ano passado começou sua vida maratonista de escravo das exigências do "rais". Musalam é incapaz às vezes de utilizar o tempo passado quando fala de Arafat.

    "Foram momentos muito entusiasmados, embora muito exigentes, porque trabalha até muito tarde e é muito meticuloso. Gosta fazer as coisas da maneira correta e não aceita erros que afetam tanta gente. Portanto tínhamos que estar sempre atentos", explica Musalam, que hoje no oásis de Jericó se dedica a escrever sobre literatura árabe.

    Musalam mostra admiração absoluta por seu antigo chefe: "Trabalhava diariamente até as duas e meia ou três da madrugada e depois aparecia no escritório no dia seguinte às nove ou dez". "Era totalmente dedicado à causa, a seu povo, e suas necessidades básicas eram muito poucas, como outros dirigentes revolucionários. Yasser Arafat era um homem de história, queria andar pela caminho dos grandes dirigentes", afirma.

    "Foi um grande homem, um líder revolucionário, um pai, uma figura internacional, um dirigente militar, muito político, e ao mesmo tempo muito humano", diz. E expressa surpresa por sua morte: "Foi assombrosa sua rápido deterioração e morte. Não esperávamos a forma como morreu. Nos pegou desprevenidos porque foi muito rápido como para assimilar".

    "Eu o vi pela última vez quando saía da Muqata para subir ao helicóptero. Eu ficava no escritório e enquanto descia as escadas lhe desejava saúde, uma rápida recuperação e que voltasse rápido e ele respondeu assim", explica Musalam fazendo um sinal de positivo com a mão. "Estávamos tão ansiosos que quase chorávamos, não na frente dele, mas após sua partida, as lágrimas caíram", continua.

    Quanto aos funerais, Musalman considera que refletem exatamente a identidade de Arafat. "Recebeu três funerais, dois oficiais, um internacional, um árabe e um popular. Esse é Yasser Arafat, nenhum outro dirigente no mundo receberia três funerais", diz. Apesar dos mais de 20 anos ao lado de Arafat, Musalam afirma que nunca manteve conversas pessoais com o líder palestino. "Não era um amigo, era mais um dirigente e uma figura paterna".

  • EFE
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