Polícia enfrenta imigrantes em Paris pela 6ª noite

02 de novembro de 2005 • 10h30 • atualizado às 11h35
Policiais nas ruas de Paris em mais uma noite violenta Foto: AP
Policiais nas ruas de Paris em mais uma noite violenta
02 de novembro de 2005
Foto: AP

Dezenas de carros foram queimados na sexta noite consecutiva de tumultos na periferia de Paris. A rebelião entre jovens imigrantes dos subúrbios está abalando o governo conservador da França.

A violência na periferia leste, onde se concentram imigrantes árabes e negros, deve-se em parte à falta de empregos e de reconhecimento para os jovens na sociedade francesa. Um ataque com gás lacrimogêneo contra uma mesquita acirrou ainda mais a tensão.

Uma forte presença policial manteve uma tensa ordem em Clichy-sous-Bois, onde os confrontos começaram na semana passada depois que dois adolescentes de origem africana morreram eletrocutados quando aparentemente fugiam da polícia.

O presidente da França, Jacques Chirac, pediu calma à população e afirmou que as autoridades serão duras na repressão à violência. Ele disse não acreditar que a violência seja uma resposta à morte dos rapazes.

Porém, os confrontos se espalharam para outras partes da periferia leste da capital, segundo a polícia. O ministro do Interior, Nicolas Sarkozy, disse a uma rádio que 34 pessoas foram detidas durante a madrugada.

O primeiro-ministro Dominique de Villepin também pediu calma à população. Na terça-feira, ele visitou os parentes dos dois adolescentes mortos em companhia de Sarzkozy, seu maior adversário político que está sendo muito criticado pela repressão aos tumultos.

O ministro das Oportunidades Iguais, Azouz Begag, atacou abertamente Sarkozy por chamar os manifestantes de "escória".

"Falo com palavras reais", reagiu Sarkozy em entrevista ao jornal Le Parisien. "Quando alguém alveja policiais, não é só um ''jovem'', é um estúpido, ponto final."

Villepin adiou em várias horas seu embarque para uma visita ao Canadá, na quarta-feira, e a imprensa francesa disse que o presidente Jacques Chirac deve fazer uma declaração sobre os distúrbios durante a reunião ministerial.

Villepin e Sarkozy vivem uma acirrada batalha para serem o candidato da direita nas eleições presidenciais de 2007. A oposição socialista critica a atuação de Sarkozy.

"Talvez caiba ao primeiro-ministro intervir, colocando ligeiramente de lado este excitado ministro do Interior", disse o secretário nacional do partido, Malek Boutih, a um canal de TV.

Sarkozy prometeu na segunda-feira colocar mais policiais nas ruas como parte da sua política de "tolerância zero" contra a violência.

Vários outros subúrbios de Paris já haviam tido incidentes que atraíram a atenção de Sarkozy e se tornaram alvo da sua promessa de agir com dureza contra a criminalidade.

Em junho, um menino de 11 anos foi morto por uma bala perdida em La Corneuve, na zona norte. Vitry-sur-Seine, na zona leste, virou manchete em 2002 quando um rapaz de 18 anos ateou fogo a uma menina de 17.

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