Junto com o relatório, as autoridades sauditas anunciarão uma série de medidas para responder à forte pressão de Washington e às críticas pela falta de controle de ditos fundos de caridade, entre as quais se incluem alegações de que essas doações podem ter financiado a organização terrorista Al-Qaeda, dirigida pelo dissidente saudita Osama bin Laden.
Em uma entrevista coletiva, representantes do Governo saudita vão expor as medidas que serão adotadas, como mecanismos de controle e auditorias sobre as organizações de caridade, assim como a criação de uma agência governamental supervisora e uma unidade de serviços secretos financeiros, de acordo com o jornal.
O Governo saudita informará que, desde os atentados de 11 de setembro de 2001 nos EUA, congelou 33 contas bancárias por um total de US$ 5,6 milhões. O jornal lembra que conforme cifras do Departamento do Tesouro, foram congelados no mundo ativos no valor de US$ 113 milhões, supostamente pertencentes a organizações ou indivíduos vinculados ao terrorismo.
O assessor saudita de Política Externa, Adel al-Jubeir, admitiu a falta de controle sobre as finanças destas organizações humanitárias. "É muito simples. Não temos impostos na Arábia Saudita. Por isso as pessoas não fazem declaração de renda como nos EUA e não há inspeções", disse Al-Jubeir.
De acordo com o assessor, do total de 300 organizações não-governamentais de caridade que há na Arábia Saudita e que administram US$ 4 bilhões, só uma pequena porcentagem envia dinheiro para fora do país e no total pode chegar a cerca de US$ 300 milhões.
O funcionário saudita admitiu a possibilidade de que parte desse dinheiro tenha caído de forma indireta ou inadvertida em mãos terroristas, ao afirmar que não pode provar o contrário.
O FBI investiga a possibilidade de que algumas das doações feitas pela princesa Haifa al-Faisal, mulher do embaixador saudita em Washington, Bandar bin Sultan, tenham parado nas mãos dos terroristas suicidas que cometeram os atentados de 11 de setembro de 2001 nos EUA.
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