Morte de advogado de Saddam mostra violência

21 de outubro de 2005 • 12h12 • atualizado às 12h12

O assassinato de um dos advogados do processo contra Saddam Hussein e sete colaboradores, cujo corpo foi encontrado nesta sexta-feira em Bagdá, mostra o problema da segurança das pessoas envolvidas, principalmente testemunhas.

"Se não conseguem proteger os advogados, como poderão defender seus clientes, e como as testemunhas ousarão comparecer ao tribunal?", questionou nesta sexta-feira Badie Izzat Aref, advogado do ex-vice-premier Tarek Aziz, antes de receber a notícia do assassinato do colega.

O corpo de Saadun Janabi, que defendia um dos réus, foi encontrado às 21h30 de ontem (16h30 de Brasília) atrás de uma mesquita do bairro Our, com um tiro na cabeça, uma hora após ter sido seqüestrado por homens armados. Mas uma fonte do Ministério do Interior afirma que o corpo do advogado de Awad Ahmad al-Bandar foi descoberto na manhã de hoje, horário local.

O seqüestro do advogado irritou seus colegas, que, segundo Aref, o consideraram "escandaloso". O advogado de Saddam, Jalil Dulaimi, criticou o exército americano pela falta de proteção dos involvidos no julgamento. "O Iraque está sob proteção das tropas americanas, e nós as consideramos responsáveis. A Convenção de Genebra obriga a força de ocupação a defender os cidadãos do país ocupado", disse Dulaimi ao canal de TV árabe Al-Jazeera.

Referindo-se ao seqüestro do colega, Dulaimi afirmou que o objetivo foi "assustar os advogados que defendem os membros de uma direção legítima", e destacou as "ameaças constantes, por e-mail, telefone ou diretamente", recebidas pelos representantes legais.

O tribunal decidiu convocar para depor nos próximos dias uma testemunha-chave, Waddah Khalil al-Cheikh, do alto escalão dos serviços secretos do antigo regime. Al-Cheikh está doente de câncer em estágio terminal, e preso por outro caso em que estão envolvidas autoridades da ex-ditadura de Saddam.

O correspondente do jornal britânico "The Guardian" no Iraque, o irlandês Rory Carroll, libertado na noite de ontem após passar 36 horas em cativeiro, foi levado para a embaixada da Grã-Bretanha em Bagdá, onde está "seguro", garantiram fontes diplomáticas.

O jornalista, de 33 anos, disse ter sido seqüestrado por xiitas que queriam trocá-lo por seguidores do líder radical Moqtada al-Sadr. "Meu medo era de que me vendessem para grupos sunitas ou islamitas", disse Carroll.

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