EUA intensificam preparativos de guerra ao Iraque

01 de dezembro de 2002 • 19h29 • atualizado às 19h29

O Pentágono está intensificando no Golfo Pérsico seus preparativos para uma guerra contra o Iraque, cujo custo pode ficar em entre US$ 100 e 200 bilhões. O chefe do Comando Central, general de Infantaria do Exército Tommy Franks, participará na próxima semana de um exercício militar americano, denominado "Internal Look", no qual, conforme fontes do Pentágono, serão usados os procedimentos de comando e controle que seriam empreendidos numa guerra contra o Iraque.

O exercício será dirigido da base As Sayliyah, no Catar, e ao lado de Frank estarão aproximadamente 750 comandantes do Comando Central, que tem sua sede na Flórida e cobre o leste da África, o Oriente Médio, o Golfo e o sul da Ásia, até o Turcomenistão.

O jornal "The New York Times" informou hoje que os Estados Unidos ainda não pediram formalmente ao Catar permissão para dirigir de As Sayliyah uma campanha contra Iraque e que, por enquanto, "a versão oficial é que os EUA simplesmente estão melhorando sua preparação militar na região".

As Sayliyah ocupa 105 hectares e fica localizada no sul de Doha, a capital catariana. Os trabalhos foram completados em agosto com um custo de US$ 100 milhões na base, que compreende 20 hangares com ar-condicionado nos quais são guardados centenas de tanques M1, veículos de combate Bradley e outros veículos blindados.

A despesa nessa base e com o deslocamento crescente de forças americanas que vão fazer manobras na região do Golfo fazem parte do debate em Washington sobre o custo que teria uma guerra contra Iraque - e quem arcaria com ele.

Durante a Guerra do Golfo, em 1991, os Estados Unidos comandaram uma ampla coalizão internacional que contou não só com a colaboração militar de diversos países, mas também com um generoso financiamento dos aliados.

O custo total daquela guerra foi de aproximadamente US$ 80 bilhões, mas, devido às contribuições dos aliados de Washington, a conta final para os contribuintes americanos ficou em cerca de US$ 7 bilhões.

Especialistas militares, grupos de estudo e fontes do Congresso calculam agora que a campanha contra o Iraque custará entre US$ 100 e 200 bilhões, num momento em que os EUA só têm o respaldo firme do Reino Unido e as promessas de apoio de poucos outros aliados.

O jornal "The Washington Post" lembrou hoje que a Guerra do Golfo, que provocou um aumento da popularidade do então presidente George Bush, foi acompanhada por um breve aumento dos preços do petróleo, uma recessão e uma queda da confiança dos consumidores americanos, que acabaram com as chances de reeleição do governante.

O Escritório de Orçamento do Congresso calculou que uma guerra breve requereria o envio de aproximadamente 250 mil soldados americanos e teria um custo de entre US$ 44 e 60 bilhões. Mas se a guerra se prolongar, os gastos subiriam rapidamente para US$ 100 bilhões.

"Se forem acrescentados os custos da força de ocupação e de estabilização do Iraque, o preço total de uma invasão chegará a entre US$ 100 e 200 bilhões", afirmou o Post.

Na comparação com o peso de outras guerras no Produto Interno Bruto (PIB), a conta de uma campanha contra Iraque não seria tão alta, afirma o Post.

A Segunda Guerra Mundial custou o equivalente a 103% do PIB dos EUA, a da Coréia, de 15%, a do Vietnã, de 12%, e a do Golfo, de 1%. A nova campanha contra o Iraque custaria entre 1 e 2%.

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