Depois de séculos, Itália construirá ponte na Sicília

12 de outubro de 2005 • 15h20 • atualizado às 15h20

Rachel Sanderson

Roma


Um projeto centenário para ligar a Itália continental à ilha da Sicília ganhou fôlego na quarta-feira, quando um consórcio internacional ganhou um contrato multibilionário em euros para construir uma ponte ligando as duas costas.

Ela será a maior ponte suspensa do mundo, com 3,3 quilômetros, cerca de três vezes mais longa que a Golden Gate de São Francisco. Suas duas torres terão 383 metros e serão mais altas que a torre Eiffel.

A estatal italiana que cuidava do projeto anunciou que um consórcio internacional liderado pela firma italiana Impreglio tinha ganho o lucrativo contrato.

Seu executivo-chefe, Pietro Ciucci, disse que a ponte ia se tornar realidade apesar do receio dos ambientalistas. O Partido Verde disse que o projeto seria "um cavalo de Tróia para a máfia".

A Impregilo disse que fez uma oferta de 3,88 bilhões de euros (4,65 bilhões de dólares), representando um desconto de 12 por cento sobre os 4,4 bilhões de euros estabelecidos originalmente pelo governo italiano para a realização do trabalho de engenharia mais complexo da história da Itália.

A idéia de ligar a Itália à Sicília remonta aos tempos romanos e desde então o assunto sempre gerou polêmica e debate político.

A ponte teria 10 faixas para carros, trens e veículos de emergência e comportaria 6.000 carros por hora e 200 trens por dia. Atualmente a viagem tem que ser feita de barco, e dura por volta de duas horas.

Os ambientalistas dizem que a obra é perigosa porque está numa área de vulcões ativa. Os defensores do projeto dizem que a ponte irá melhorar o comércio e o turismo entre a Sicília e a Itália.

A cidade de Messina, na Sicília, foi destruída por um terremoto de 7,1 graus em 1908 que matou 87 mil pessoas. Os arquitetos dizem que a ponte suportaria terremotos de mais de 7,1 graus de magnitude.

O consórcio também inclui a participação de uma empresa japonesa e espanhola.

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