Especialistas dizem que Iraque esconde armas químicas

15 de novembro de 2002 • 19h24 • atualizado às 19h24

Apesar das negativas iraquianas, especialistas ocidentais acreditam que Bagdá produziu e escondeu vastas quantidades de agentes químicos e biológicos e pode ter reconstruído ilegalmente parte de seu programa nuclear. Na sua carta às Nações Unidas comunicando que aceita o retorno dos inspetores de armas ao país depois de uma ausência de quatro anos, o Iraque disse: "não desenvolvemos armas de destruição em massa, sejam elas nucleares, químicas ou biológicas, como é dito pelo povo do mal."

Mas analistas ocidentais, baseados no que já foi descoberto pela antiga comissão de armas da ONU, a Unscom, que existiu entre 1991 e 1998, acreditam que Saddam Hussein esconde um mortífero arsenal. Em 1998, a força tarefa sobre terrorismo e armamento não-convencional da Câmara dos Deputados americana concluiu que "apesar dos protestos de Bagdá, o Iraque tem um pequeno, mas muito letal, arsenal de armas de destruição em massa e plataformas capazes de lançá-las."

Quando os inspetores da Unscom deixaram o Iraque em 1998, eles disseram que ainda não sabiam a completa extensão dos programas de armas químicas e biológicas do Iraque, mas tinham coletado importantes provas materiais e circunstanciais que sugeriam que os programas haviam sido mais avançados e abrangentes do que se imaginava. Possivelmente, a mais aterrorizante e menos conhecida área diz respeito às capacidades do arsenal biológico iraquiano. Depois de repetidamente negar a existência desses programas, o Iraque foi forçado a admitir, em 1995, que produziu antraz, aflatoxinas e toxina botulínica e que havia enchido ogivas de mísseis e bombas com agentes biológicos. O Iraque disse que destruiu todos esses agentes, mas a Unscom suspeitava que grandes quantidades de todos eles haviam sido produzidas e escondidas.

A aflatoxina é uma substância cancerígena encontrada na natureza em muitas nozes e alguns grãos e podem ter sido usadas como um agente de genocídio lento, talvez contra a minoria curda. Já a toxina botulínica, que causa o botulismo, é uma das mais nocivas substâncias conhecidas dos seres humanos. "Há uma grande discrepância entre a quantidade de culturas bacterianas importadas pelo Iraque e as que eles afirmam ter usado em legítimos propósitos industriais. Eles podem ter escondido o bastante para produzir quatro toneladas de agentes bacterianos," disse Jonathan Tucker, que trabalhou nas equipes de inspeção de armas biológicas da ONU no Iraque nos anos 1990.

Há também provas circunstanciais de que o Iraque desenvolveu e fez armas com o vírus da varíola. Houve um aumento natural da doença no Iraque em 1971 e cientistas podem ter coletado e armazenado amostras. De acordo com um estudo do Instituto Internacional de Estudos Estratégicos, de Londres, o "Iraque provavelmente aumentou seu estoque de armas biológicas (talvez milhares de litros de antraz) desde 1991. O regime é capaz de iniciar a produção de armas biológicas em poucas semanas, a partir de prédios civis preexistentes e pode ter produzido milhares de litros de toxina botulínica, antraz e outros agentes desde 1998."

Rod Barton, ex-integrante do Ministério da Defesa australiano, que trabalhou na Unscom, escreveu numa análise, em 2001, que Bagdá pode perfeitamente ter criado uma nova forma de armazenar e congelar antraz desidratado, o que pode preservar seu princípio ativo por muitos anos. No campo das armas químicas, as preocupações se concentram no VX, um agente que pode destruir o sistema nervoso com apenas uma gota. Em 1998, quando foram expulsos do Iraque, os inspetores da ONU afirmaram que Bagdá havia importado matéria prima suficiente para produzir 200 toneladas do agente, mas o país admitiu ter feito apenas 3,9 toneladas e disse que destruiu tudo. Os inspetores, no entanto, encontraram traços do estabilizador usado no VX e subprodutos químicos da arma mortal em amostras de ogivas de mísseis. No campo nuclear, especialistas dizem que o Iraque pode produzir uma arma nuclear em poucos meses, desde que possa por as mãos em material destinado à confecção da arma.

Reuters - Reuters Limited - todos os direitos reservados. Clique aqui para limitações e restrições ao uso.
 
Enviar para amigos
Fechar por:
Enviar para amigos
Fechar por:

Imprimir

Fechar
Mais vistos

Notícias

  1. Carregando...
leia mais notícias »