Philip Pullella
Cidade do Vaticano
O papa os incentivou a "prosseguir seu importante trabalho no serviço da Igreja".
O problema é que, até então, pouca gente sabia da realização do encontro desses caça-belzebus, supostamente em Roma.
Mas onde, especificamente? Em uma igreja, um hotel, um cemitério? "Eles tentam manter essas coisas em sigilo", disse um professor católico ligado aos exorcistas.
A Igreja Católica demonstra um crescente interesse pelo exorcismo na Itália. Em 1999, o Vaticano divulgou seu primeiro ritual atualizado de exorcismo desde 1614 e alertou que o diabo ainda está à solta.
O exorcismo oficial católico consiste em orações, uma bênção, a aspersão de água benta, colocação das mãos sobre o possuído e o sinal da cruz. Termina com uma "fórmula imperativa" para que o demônio saia.
"Ordeno-te, Satanás", começa a fórmula, que chama o diabo de "príncipe do mundo" e "inimigo da salvação humana". A consagrada frase "Vade retro, Satanás" encerra a fórmula imperativa.
Uma universidade do Vaticano anunciou na quinta-feira passada que, pelo segundo ano consecutivo, realizará um curso sobre exorcismo e satanismo para padres.
O curso começa em outubro na Regina Apostolorum, uma das mais prestigiosas universidades pontifícias romanas. Os participantes podem acompanhar as aulas ao vivo, no câmpus de Roma, ou por teleconferência em outras cidades italianas.
Isso, segundo a universidade, se deve ao grande interesse despertado pelo curso do ano passado, acompanhado por quase 130 pessoas.
O curso de quatro meses é interdisciplinar. Inclui aspectos médicos, psicológicos e religiosos do satanismo e do exorcismo.
Segundo algumas estimativas, até 5.000 pessoas participam de cultos satânicos na Itália. Jovens de 17 a 25 anos formam três quartos desse total.
O interesse pelo demônio e pelo oculto foi reforçado por filmes como "O Exorcista", de 1973, e "Exorcista: O Começo", de 2004.
No ano passado, a imprensa italiana dedicou grande espaço ao caso de dois adolescentes de uma banda de heavy metal, chamada "Bestas de Satã", mortos por outros integrantes do conjunto durante um ritual de sacrifício humano.
As mortes chocaram a católica Itália, que consumiu páginas e páginas de descrições de velas negras e crânios de bodes decorando o quarto de uma das vítimas, além de testemunhos de violência sexual.
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