"É uma medida soberana, primeiro. E, segundo, obedece a causas; aumentou o fluxo de ilegais de uma maneira importante, então nos parece importante ordenar as migrações e uma forma de ordená-las é mediante vistos", indicou ontem à noite o secretário de Governo (Interior), Carlos Abascal.
A partir do próximo mês, os turistas desses dois países e da África do Sul terão que pedir vistos de cinco anos de duração, enquanto os outorgados a homens de negócios durarão três.
Apesar de tanto Brasil como Equador terem anunciado que imporão vistos aos viajantes mexicanos por reciprocidade, o ministro Abascal descartou que isso possa gerar fricções com esses países.
"Não, essas coisas se falam e se veio anunciando pouco a pouco, tem que se resolver bem, são medidas naturais em qualquer país do mundo, como com o Equador ou com qualquer outro país", explicou Abascal.
"O último que desejamos é que haja uma fricção, porque no final das contas o tema mais importante é que é preciso assegurar-nos que sejam introduzidos os elementos de controle para respeitar plenamente os direitos humanos de todas as pessoas", acrescentou o ministro.
Lembrou que o "México segue sendo um país aberto ao mundo, mas buscando ordem e respeito aos direitos humanos em todas as pessoas que nos visitam".
A Secretaria de Relações Exteriores (SRE, Chancelaria) mexicana expressou em comunicado seu mal-estar pelo tratamento e interpretação dado ao anúncio desta decisão.
O México "lamenta a desinformação de caráter negativo e doloso que se publicou sem fundamento algum e que causou indignação tanto no México como no exterior por ter feito acreditar falsamente que o programa de vistos (...) tem como finalidade evitar a entrada de muçulmanos e 'supostos terroristas' provenientes de outros países, inclusive do Brasil", indicou a SRE.
Para o Governo, a decisão faz parte de um processo de "modernização" promovido pelo Instituto Nacional de Migração (INM).
Segundo a Chancelaria do México, "sob o esquema de supressão de vistos com que se vinha operando com estes países foram registrados abusos no trânsito de pessoas, especialmente no caso de brasileiros, o que pôs em risco seus direitos humanos".
A Chancelaria mexicana sustenta que exigir a partir de agora o visto dos visitantes representa "um passo a mais para a segurança de turistas e homens de negócios que ingressam em nosso país".
Para o Governo mexicano, os novos vistos "constituem uma evolução para um sistema mais inteligente para garantir um trânsito de pessoas mais ágil e seguro e, ao mesmo tempo, permitem avançar no objetivo de promover fluxos migratórios que contribuam para o desenvolvimento do país".
As autoridades mexicanas esperam que os vistos "permitam contar, além disso, com melhores ferramentas para combater o tráfico de pessoas indocumentadas que são vítimas dos chamados 'galinheiros'".
Nos últimos anos, o México se transformou em país de passagem para os EUA de milhares de imigrantes do Centro e da América do Sul, que buscam nesse país melhores condições de vida.
No caso dos brasileiros, que cada vez mais usavam este país como zona de passagem para os EUA, só no primeiro semestre deste ano o México negou a entrada de 6.450 cidadãos desse país, 63% do total de "expulsões" nesse período.
Uma negativa de entrada acontece quando alguém que diz ser turista chega ao país sem bagagem ou bilhete aéreo de volta a seu local de procedência.
Em 2004 foram rechaçados 4.822 brasileiros, 48% do total de expulsões que houve contra 31.189 entradas legais, cifra muito superior às negativas que afetaram guatemaltecos, 646 no total, que ocuparam o segundo lugar.
A esse contingente de indocumentados estrangeiros é preciso somar os 400.000 indocumentados mexicanos que a cada ano cruzam a fronteira de 3.200 quilômetros com seu vizinho do norte.

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