Secretário da OEA diz que eleições vão melhorar situação no Haiti

10 de agosto de 2005 • 17h52 • atualizado às 17h52

O secretário-geral da Organização dos Estados Americanos (OEA), José Miguel Insulza, disse nesta quarta-feira que as próximas eleições no Haiti são "fundamentais" para melhorar a situação política e econômica no país.

Segundo Insulza, a OEA está "trabalhando intensamente" com a ONU e com a Comunidade do Caribe (Caricom) para que as eleições do fim de ano aconteçam "nas melhores condições" possíveis.

O ex-chanceler chileno, que ontem à noite fez uma conferência na sede da Chancelaria da República Dominicana, disse acreditar que as eleições no Haiti ajudarão a criar a base para recuperar a institucionalidade e melhorar as condições sociais da ilha caribenha.

No entanto, Insulza disse que isto só será possível se as organizações políticas haitianas cooperarem com o presidente que sair eleito.

"Estivemos conversando sobre o que acontecerá depois das eleições", disse Insulza após se reunir com Evans Paul, candidato à Presidência do Haiti pela organização Aliança pela Democracia.

"As forças políticas haitianas terão que fazer um grande esforço para coordenar e entrar em acordo", disse o secretário-geral.

Em entrevista coletiva, Paul disse ter conversado com Insulza sobre a necessidade de realizar eleições transparentes no Haiti, o país mais pobre das Américas.

"Falei com o secretário-geral da OEA sobre a governabilidade no Haiti e da necessidade de que as eleições sejam muito bem organizadas", disse o ex-prefeito de Porto Príncipe, afirmando que o encontro entre os dois foi uma "casualidade".

Paul, ferrenho opositor do ex-presidente haitiano Jean-Bertrand Aristide, disse que seu Governo seria formado por diferentes setores, com o objetivo de melhorar a situação do país caribenho.

"Vamos criar um Governo de unidade nacional com a participação de todos (..), é preciso garantir uma boa coerência", afirmou Paul, que ficará na República Dominicana até o próximo sábado.

Paul também avaliou a decisão do partido Família Lavalás - do ex-presidente Aristide - de participar das eleições, já que isto faz parte da democracia, segundo o candidato.

De acordo com o Conselho Eleitoral Provisório (CEP) do Haiti, 63 partidos se inscreveram para participar das eleições do final do ano.

No entanto, o órgão afirmou que apenas 30 formações cumprem o requisito da Lei Eleitoral de ter, pelo menos, 5.000 pessoas inscritas para o pleito.

Em 9 de outubro serão realizadas as eleições municipais no Haiti, e em 13 de novembro acontecerão as presidenciais e as legislativas.

Caso seja necessário um segundo turno, este acontecerá em 18 de dezembro.

O CEP informou que, por enquanto, 1,8 milhão de pessoas se registraram na lista de eleitores.

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