Hiroshima homenageia mortos por bomba atômica

05 de agosto de 2005 • 20h44 • atualizado às 23h00

Dezenas de milhares de pessoas do mundo todo reuniram-se em Hiroshima no sábado para lembrar os 60 anos do ataque com bomba atômica na cidade e pedir novamente a abolição desse tipo de arma no mundo.

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    A data marcando o primeiro ataque com bomba atômica da história chega quando potências regionais, reunidas em Pequim, tentam convencer a Coréia do Norte a abrir mão de seu programa nuclear.

    Esse programa é visto no Japão como uma ameaça em potencial e é um dos argumentos usados por alguns para defender que o governo japonês reforce seu aparato militar e aumente a cooperação no setor com os norte-americanos.

    Sob um sol forte, sobreviventes e familiares das vítimas reuniram-se no Parque da Paz Memorial, perto do local onde a bomba foi detonada, na manhã de 6 de agosto de 1945, matando milhares de pessoas e destruindo a cidade.

    Várias autoridades, entre as quais o primeiro-ministro japonês, Junichiro Koizumi, participaram da cerimônia em Hiroshima, localizada 690 quilômetros a sudoeste de Tóquio.

    Às 8h15 (horário local, 20h15 em Brasília), a hora em que o bombardeiro norte-americano B-29 Enola Gay jogou a bomba, as pessoas no parque e em toda a cidade fizeram um minuto de silêncio a fim de lembrar as vítimas do ataque. Sinos de templos e igrejas soaram e as pessoas que estavam em seus carros nas ruas curvaram suas cabeças para lembrar os que foram incinerados pela bomba há 60 anos quando dirigiam seus carros.

    "Este 6 de agosto...é um momento de herança, de despertar e de comprometimento, no qual herdamos o comprometimento com as vítimas da bomba de abolir as armas nucleares e criar um mundo onde haja realmente paz", afirmou à multidão o prefeito de Hiroshima, Tadotoshi Akiba.

    Akiba disse em sua declaração de paz que as cinco potências nucleares estabelecidas - os EUA, a Rússia, a Grã-Bretanha, a França e a China ¿ bem como a Índia, o Paquistão e a Coréia do Norte estavam "colocando em perigo a sobrevivência da espécie humana".

    A bomba de Hiroshima liberou uma ondas de choque, raios de calor e radiação que mataram milhares de pessoas instantaneamente. No final de 1945, o número total de vítimas fatais da bomba chegou a 140 mil de um total de 350 mil pessoas que moravam em Hiroshima.

    Milhares morreram anos depois devido aos ferimentos e doenças causados pelo ataque. No dia 9 de agosto de 1945, três dias depois do ataque em Hiroshima, uma outra bomba atômica foi jogada sobre Nagasaki. O Japão rendeu-se no dia 15 de agosto pondo fim a Segunda Guerra Mundial.

    Constituição pacífica
    Na cerimônia de sábado, outros 5.375 nomes foram acrescentados à lista dos mortos de Hiroshima, elevando o total para 242.437. Referindo as medidas para revisar a constituição pacifista adotada pelo Japão depois da guerra, Akiba disse que é uma obrigação da atual geração de manter o princípio "tu não deves matar".

    "A constituição japonesa, que incorpora esse ensinamento para sempre como a vontade soberana de uma nação, deve ser a luz que guia o mundo no Século 21", disse. No início desta semana o governista Partido Democrático Liberal divulgou esboço de uma drástica mudança ma constituição propondo que o Exército possa não apenas atuar na defesa do país, mas também se juntar a esforços de segurança globais.

    Embora o apoio para uma mudança na cláusula pacifista da constituição japonesa esteja longe da maioria, a opinião pública não tem oposição esmagadora contra a idéia e alguns políticos já defenderam que o Japão deve ter uma bomba atômica, o que foi um tabu por muitos anos.

    Até mesmo alguns dos presentes na cerimônia de Hiroshima defendem que o país deve ter armas nucleares para fazer frente a ameaça norte-coreana. "O melhor é se as conversas com os Estados Unidos derem certo e a Coréia do Norte desistir de suas armas atômicas", disse Yoshiaki Onoue, 45, se referindo as negociações em Pequim.

    "Mas o Japão pode precisar ter as armas nucleares como segurança", acrescentou ele que estava com sua família visitando o Memorial. Ele é de Osaka, a 300 km a leste de Hiroshima

    Os sobreviventes dos ataques, cuja média de idade atualmente é superior a 73 anos, temem que ao passo que eles forem morrendo, o mesmo acontecerá com as lembranças do ataque. "Passar essa experiência é a nossa grande preocupação", disse Sunao Tsuboi, 80, que lidera um grupo de sobreviventes. "Ao passo que envelhecemos, o ódio contra a bomba atômica, até mesmo entre as vítimas, vai minguando...O dia 6 de agosto está sendo lembrado como 60º aniversário, mas eu me preocupo com o ano que vem."

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