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 Mangá retrata a tragédia de um menino de Hiroshima
05 de agosto de 2005 13h58 atualizado às 22h57

O segundo volume da série de Barefoot Gen. Foto: Divulgação

O segundo volume da série de Barefoot Gen
Foto: Divulgação

O japonês Keiji Nakazawa tinha apenas sete anos quando a bomba atômica destruiu sua cidade natal. O relato de sua tragédia pessoal através do mangá (revista em quadrinhos japonesa) Barefoot Gen (Gen Pés Descalços) se tornou conhecido mundialmente.

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    Ele conta que desenhar o ataque atômico ocorrido há 60 anos foi como passar por tudo aquilo novamente. "Eu estava escrevendo Barefoot Gen para uma revista semanal e foi como estar aprisionado nas terríveis memórias da explosão atômica semana após semana. Foi muito doloroso", conta Nakazawa, 66 anos.

    Ele perdeu o pai, a irmã e um irmão mais novo de uma só vez no ataque nuclear do dia 6 de agosto de 1945, que matou cerca de 140.000 pessoas em Hiroshima. Enquanto narra os momentos vividos pelo menino de seis anos Gen, são retratados alguns dos mais nítidos e chocantes efeitos do bombardeio como as imagens dos corpos derretidos e queimados.

    "Gen sou eu. Eu escrevi o que eu vi e não quis abrandar a guerra e o sofrimento humano. Enquanto pessoalmente eu quero ficar distante da experiência atômica o máximo possível, acredito que uma história em quadrinhos seja uma ferramenta para lembrarmos a experiência da guerra", disse Nakazawa. Como o menino da revista, Nakazawa com seis anos tentou em vão resgatar seu pai, sua irmã e seu irmão que estavam presos em sua casa destruída após o ataque.

    Enquanto a fúria das chamas invadia a casa, o autor e a mãe grávida assistiam a seus entes queridos morrerem sem poder fazer nada. Dias depois, Nakazawa voltou à casa queimada e achou três esqueletos.

    O livro vendeu mais de seis milhões de exemplares no Japão desde sua primeira publicação, em 1975, e foi traduzido para o inglês, o francês, o alemão, o indonésio, o coreano e o russo. "Eu quero que os meus leitores se levantem contra a guerra e as armas nucleares", disse Nakazawa.

  • AFP
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