França condena 62 pessoas envolvidas em pedofilia

27 de julho de 2005 • 13h09 • atualizado às 16h06

Um tribunal francês condenou hoje 62 pessoas pelo envolvimento em uma rede de prostituição infantil que se dedicava ao abuso sexual de crianças, algumas com seis meses de idade.

Descrito como o maior julgamento de pedofilia na França, 65 homens e mulheres foram acusados de participar de uma rede de prostituição infantil, na qual 45 crianças, com idades entre seis meses e 15 anos, foram estupradas ou atacadas sexualmente entre 1999 e 2002.

O tribunal sentenciou Philippe V, acusado de estuprar seus próprios netos, a 28 anos de prisão. A promotoria descreveu o réu de 59 anos de "predador", e pediu uma sentença de 30 anos de prisão. A promotoria também pediu sentenças de 30 anos para Eric J. e Jean-Marc J., duas figuras centrais da rede de prostituição. Eles foram sentenciados a 28 e 26 anos, respectivamente.

Chamando alguns dos réus de "monstros", os promotores pediram sentenças de entre seis meses e 30 anos de prisão. Os advogados de defesa, que pediram a absolvição de cerca de 30 pessoas por causa de falta de prova material, disseram que alguns dos acusados haviam sofrido abuso durante sua infância.

Alguns deles foram acusados de estuprar seus próprios filhos ou oferecê-los para outras pessoas para sexo, frequentemente em troca de comida ou pequenas quantias de dinheiro. A maioria dos réus vinha de uma camada social de baixo poder aquisitivo e não tinha muita educação. Alguns eram analfabetos.

Durante o julgamento de Angers, que durou mais de quatro meses e envolveu cerca de 60 advogados e 150 testemunhas, o júri escutou evidências previamente gravadas de algumas das vítimas infantis. Cerca de 20 dos acusados - a maior parte mulheres - sabia de alguns dos casos de pedofilia.

A promotoria disse que a maioria dos casos aconteceu na casa de um homem e de uma mulher em Saint-Leonard, subúrbio de Angers, uma cidade que se denomina o portão de entrada ao pitoresco vale do Loire.

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