Saddam mantém desafio após ameaça de fúria dos EUA

08 de outubro de 2002 • 20h01 • atualizado às 20h05

O presidente iraquiano Saddam Hussein continua desafiando a retórica beligerante dos Estados Unidos, mesmo após a ameaça feita hoje pelo presidente norte-americano. George W. Bush, ameaçou usar a "fúria total" dos militares norte-americanos em caso de necessidade de forçar o Iraque a abandonar seus programas de armas.

Saddam disse em Bagdá, conforme a Agência de Notícias Iraquiana, que as ameaças de Bush foram provocadas pelo fracasso do líder norte-americano em fazer os iraquianos se curvarem. "A razão para a raiva é clara. É por causa de sua inflexível disposição diante do mal, pressão e agressão", disse Saddam ao povo iraquiano. Em discursos de campanha em apoio a republicanos que concorrem nas eleições de 5 de novembro, Bush reiterou que a guerra contra o Iraque não é iminente nem inevitável. "Comprometer nossos militares com a via danosa é minha última escolha", disse Bush durante almoço de doações políticas. "Se tivermos que, então...a força total e a fúria dos militares dos Estados Unidos serão lançadas e, não tenham dúvida, venceremos".

O discurso de Bush ontem despertou esperança em políticos do mundo inteiro de que a diplomacia possa acabar com a crise. O Iraque afirma que permitirá a volta dos inspetores de armas, mas sob as antigas regras da ONU, menos rigorosas.

O centro da negociação agora é como as resoluções da ONU devem apresentar a ameaça de força se o Iraque não cumprir as exigências, disse Powell a repórteres. "Há agora, acredito, uma visão convergindo para a necessidade de uma nova resolução com padrões de inspeção rígidos", disse.

O secretário do Tesouro dos Estados Unidos, Paul O'Neill, reforçou as ameaças norte-americanas e disse que o país pode arcar com os custos de uma guerra se for necessário. "Podemos arcar e podemos prolongar (a guerra)", disse o secretário, em resposta a perguntas sobre os custos de um conflito para a economia dos EUA. O Congresso dos EUA iniciou os debates sobre uma resolução de apoio a um possível ataque. Líderes esperam aprovar a medida na próxima semana.

Washington acusa o Iraque de tentar produzir armas de destruição em massa e prometeu depor Saddam. O Iraque nega as acusações e Saddam disse que um ataque dos EUA seria motivado pela raiva diante da resolução iraquiana frente a uma agressão. "Bush não conseguiu torcer seus braços e fazer vocês implorarem, dizendo: 'Nós imploramos seu perdão, senhor, não vamos repetir o que fizemos"', disse Saddam, de acordo com a Agência de Notícias Iraquiana. Saddam fez os comentários durante encontro com assessores militares, incluindo seu filho mais novo, Qusay, supervisor da Guarda Republicana, o ministro da Defesa, sultão Hashim Ahmed, e o chefe do setor de energia atômica, Fadhil al-Janabi.

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