Políticos vêem com mais otimismo discurso de Bush sobre Iraque

08 de outubro de 2002 • 15h03 • atualizado às 15h03

Políticos ao redor do mundo ficaram encorajados hoje com o discurso do presidente norte-americano, George W. Bush, que afirmou que a guerra contra o Iraque não era inevitável e que a crise envolvendo a inspeção de armas no país poderia ser resolvida diplomaticamente. Bush disse em um discurso ontem à noite que a ameaça de um ataque iraquiano aos Estados Unidos estava aumentando, mas salientou que a ação militar norte-americana não era iminente e prometeu trabalhar com os aliados caso o governo iraquiano não providencie o desarmamento do país.

O Iraque nega as acusações dos países ocidentais de que possui armas de destruição em massa e políticos iraquianos disseram que o discurso de Bush era "cheio de mentiras". No entanto, líderes de outros países acharam o tom do presidente norte-americano mais conciliatório. Os preços de petróleo caíram hoje depois do discurso de Bush. No pronunciamento em Cincinnati destinado aos norte-americanos que temem um conflito militar, Bush disse que a ameaça do arsenal do presidente iraquiano Saddam Hussein "já é significativa, e só aumenta com o tempo". "Se tivermos de agir, tomaremos todas as medidas possíveis. Agiremos com todo o poderio militar dos Estados Unidos. Agiremos com aliados ao nosso lado. E triunfaremos", disse Bush.

Os Estados Unidos e a Inglaterra acusam o Iraque de desenvolver armas nucleares, químicas e biológicas e insistem para que uma resolução do Conselho de Segurança da ONU permita inspeções forçadas a locais suspeitos de abrigarem armas iraquianas. O secretário de Relações Exteriores da Inglaterra, Jack Straw, que está no Cairo como parte de um giro para conseguir apoio de países no Oriente Médio, salientou o discurso de Bush. "O uso da força contra o Iraque não é inevitável. O presidente Bush deixou isso muito claro em seu discurso ontem, em que estabeleceu efetivamente que existe uma opção clara para Saddam Hussein", afirmou Straw a repórteres.

Em Paris, o ex-primeiro ministro Alain Juppé disse que o discurso de Bush mostrava a influência da França, que apóia o uso de duas resoluções da ONU, sendo que apenas a segunda teria a ameaça do uso da força. "Ele fala de coalizão, de ação com os aliados, e lembra que o objetivo é desarmar o Iraque. Acho que a diplomacia francesa se fez ouvir", disse Juppé à rádio RTL na França.

Em Bagdá, membros do parlamento iraquiano reagiram negativamente ao discurso de Bush. "O seu discurso, Bush, é cheio de mentiras e cheio de argumentos irracionais", disse à Reuters Abdul Aziz Kailani, líder do comitê de assuntos religiosos do Parlamento. "Você (Bush) é como uma fera que quer comer países pequenos."

O ministro das Relações Exteriores do Iraque, Naji Sabri, que chegou na terça-feira em Catar como parte de uma turnê para defender a causa iraquiana nos países do Golfo, disse que as ameaças norte-americanas e britânicas eram "ilegais".

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