Em videoconferência, o general John Vines, número dois do Comando americano no Iraque, afirmou que todo o movimento de tropas dependerá das condições no terreno, acrescentando que qualquer retirada abrupta e em larga escala não seria prudente. Ele acrescentou que quatro ou cinco brigadas, envolvendo cerca de 20 mil homens, devem sair do país árabe em março próximo.
"Acho que poderemos diminuir nossa capacidade (militar) depois das eleições (gerais, programadas para o final de 2005), porque as forças de segurança iraquianas serão mais capazes de garantir a segurança", explicou Vines, opondo-se a anunciar um cronograma de retirada.
"Essa é uma decisão arbitrária baseada apenas em um calendário e não creio que, necessariamente, concorde com as condições da maneira que podemos vê-las aqui", comentou.
Apesar dos altos níveis de violência, o general disse que a insurgência é "relativamente estática", ou seja, não está em expansão, nem diminuindo.
Ainda segundo ele, se o governo de transição conseguir um projeto de Constituição amplamente aceito pelas comunidades sunitas, xiitas e curdas e esse projeto terminar sendo ratificado, "avalio que a insurgência diminuirá muito rapidamente".
"Nossa responsabilidade é fornecer o espaço e o tempo necessários para que o novo governo e o processo constitucional funcionem e os insurgentes não o façam fracassar antes que nasça", disse.
Vines comentou que os rebeldes têm apoio externo de líderes que pagam pelos ataques no Iraque e facilitam o fluxo de combatentes estrangeiros, por intermédio da Síria. Ele garantiu não ter sinais de envolvimento direto do governo sírio.
"Não vemos grupos de 200, 300 ou 400 pessoas operando em conjunto e controlando cidades. Vemos pequenas células que pagam pessoas para atacar a coalizão", explicou, insistindo que não há uma insurgência organizada e que uma solução política mudará "completamente" a dinâmica.
Segundo o general, os rebeldes contam com o apoio tácito, talvez até ativo, dos iraquianos contrários à presença militar americana. "E acho que, em última instância, queremos ir embora tão rápido quanto as condições permitirem", completou.
AFP - Todos os direitos de reprodução e representação reservados. Clique aqui para limitações e restrições ao uso.