A jovem de 23 anos, que viveu num orfanato e no claustro do monastério, morreu amordaçada e amarrada com correntes a uma cruz de madeira. Antes, ela passou seis dias sem água e sem comida no monastério Santa Trinidad, em Tanacu, no nordeste do país.
Irina foi seqüestrada no dia 10 de junho pelo padre Daniel Corogeanu, de 29 anos, e quatro freiras. Segundo a Procuradoria, ela teve suas mãos e pernas amarradas, e uma toalha foi colocada em sua boca.
Os médicos comprovaram que a freira morreu no dia 15 de junho, enquanto a porta-voz da polícia, Mihaela Staub, declarou pouco depois que "a morte da vítima foi causada por uma violência física muito grave".
Segundo Corogeanu, Irina estava possuída por demônios e maus espíritos, era violenta, espumava e rejeitava a água benta e, por isso, teve que ser imobilizada.
Em entrevista publicada pelo jornal Evenimentul Zilei de ontem, o sacerdote garantiu que toda a comunidade religiosa de Santa Trinidad decidiu não apelar aos médicos e tentar curá-la com orações.
"Os demônios não podem ser curados com pílulas", disse Corogeanu, que afirmou que toda a comunidade concordava que "se tratava do diabo e não de um distúrbio psíquico". Segundo ele, isso era percebido pelos seus gestos e palavras que Irina gritava e que mostravam a presença demoníaca.
O sacerdote desmentiu a crucificação da freira e garantiu que para imobilizar as mãos dela foi usada apenas uma tábua transversal.
Ele disse ainda que Irina foi amordaçada porque insultou a igreja durante a missa celebrada para sua salvação.
"Choramos por ela, ninguém quis matá-la", declarou. De acordo com Corogeanu, depois que a freira se acalmou, seus membros foram desamarrados, ela recebeu chá e pão e, então, desmaiou e sofreu um infarto.
As freiras e o sacerdote bateram e quase rasgaram o hábito do vigário de Husi, Corneliu Barladeanu, que chegou no último domingo ao monastério para suspender e proibir Corogeanu de celebrar missas até que a Procuradoria concluísse as investigações.
Os policiais que foram proteger Barladeanu também tiveram que enfrentar a agressividade das religiosas que defendiam seu sacerdote e confessor.
Segundo médicos legistas, a morte da jovem foi provocada por uma insuficiência aguda cardio-respiratória, por asfixia mecânica, outros traumas e desidratação, associados a um ataque de esquizofrenia.
"É um ato abominável e uma prática bárbara", disse à imprensa o porta-voz do Patriarcado da Igreja Ortodoxa Romena, Costel Stoica.
Para ele, a morte de Irina não tem "precedentes na história da vida monástica oriental".
Stoica explicou que o exorcismo na prática religiosa ortodoxa é de fato a "oração de São Basílio, o Grande", lida a pedido da pessoa que solicita a ajuda de Deus contra o diabo na igreja ou na casa do crente.
"O exorcismo é praticado em ampla escala nas igrejas da Romênia", disse em declarações à imprensa Razvan Codrescu, redator chefe do jornal Lumea Credintei (Mundo da fé).
Após a queda do comunismo, restou no país apenas uma centena de conventos. Mas segundo destacou Codrescu, a vida monástica renasceu na Romênia e o número dos monastérios e ermidas já passa dos 500 atualmente.
Vários jovens de ambos os sexos vestem o hábito desde muito cedo na Romênia, motivados não só pela vocação religiosa, mas também pela falta do trabalho e pelas dificuldades materiais.
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