Pentágono diz não ter planos para fechar prisão de Guantánamo

06 de junho de 2005 • 19h23 • atualizado às 19h35

O Pentágono rejeitou hoje um apelo para fechar a prisão da base militar de Guantánamo e negou-se a lamentar os cinco casos em que, reconhecidamente, soldados do país profanaram o Alcorão.

Guardas ou interrogadores norte-americanos chutaram exemplares do livro sagrado do Islã na base naval da baía de Guantánamo, em Cuba, pisaram nele ou molharam-no com água. Em um caso, um guarda urinou por meio de uma saída de ar em um prisioneiro e no seu exemplar do Alcorão, reconheceram os Estados Unidos.

Bryan Whitman, um porta-voz do Pentágono, afirmou que o país não estudava a possibilidade de fechar a prisão de Guantánamo, como sugeriu um senador do Partido Democrata (oposição).

O Pentágono (sede das Forças Armadas dos EUA) inaugurou a instalação em janeiro de 2002. Nela, são mantidos cerca de 520 estrangeiros, a maior parte capturada no Afeganistão.

No domingo, o senador Joseph Biden disse que a prisão de Guantánamo e outros campos de prisioneiros dos EUA eram "a maior ferramenta de propaganda que existe para o recrutamento de terroristas em todo o mundo".

"Acho que deveríamos fechá-la (a prisão de Guantánamo), retirando os prisioneiros dali. E devemos manter presos os homens quando isso se justificar. E libertar os homens quando isso se justificar", disse Biden.

Mas, segundo Whitman, "Guantánamo serve a uma meta vital de muitas maneiras". O porta-voz afirmou que alguns prisioneiros eram "muito, muito, muito perigosos".

"Eles querem prejudicar não apenas os americanos, mas os interesses dos EUA no estrangeiro, os nossos amigos e aliados. E essas são pessoas que, se forem libertadas, iriam certamente voltar ao campo de batalha na guerra ao terror", disse Whitman.

Pressionado por um repórter, Whitman negou-se a lamentar os incidentes em que, reconhecidamente, soldados norte-americanos profanaram o Alcorão.

Na Malásia, o general Richard Myers, chefe do Estado-Maior dos EUA, disse ser improvável que os militares acusados pelas ofensas sejam julgados em uma corte militar.

Grupos de defesa dos direitos humanos criticam o fato de os prisioneiros de Guantánamo não terem data para sair do local e acusam os EUA de praticar tortura no local.

A Anistia Internacional descreveu a prisão como sendo "o gulag da nossa época", referindo-se ao sistema soviético de trabalhos forçados em que milhões de pessoas morreram.

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