A imprensa constata o caráter incontestável da rejeição à Constituição e opina que o resultado constitui um terremoto político para Chirac, mas também para o grosso da classe política.
O jornal de esquerda Libération, em um editorial particularmente duro, fala de "uma obra prima masoquista" e de "uma classe política criada por avestruzes, levada pelas mentiras há numerosos anos e com incompetentes notórios nas rédeas, entre eles o presidente em exercício".
A distribuição geográfica do voto é uma mostra de como pesou a fratura social na decisão dos eleitores, já que o "sim" ganhou em boa parte das grandes cidades, nas quais vivem os grupos com uma posição mais acomodada, enquanto que o "não" arrasou na França rural e nas cidades pequenas e médias.
Paris foi o exemplo dessa tendência das grandes cidades com um apoio de 65% a Constituição e Lyon - terceira cidade do país - também apoiou majoritariamente o "sim", com 61%. O "sim" também triunfou em Bordeaux (58%), Nantes (59%), Rennes (59%), Grenoble (56%), Nancy (60%) e Toulouse (51%). Marselha, apesar de ser a segunda maior cidade do país votou maciçamente pelo "não", com 61%.
Stéphane Roses, do instituto de pesquisas CSA, assinalou que a principal diferença entre os eleitores do "sim" e os do "não" foi de caráter "social", já que se decantaram pela rejeição do tratado europeu os assalariados, os jovens, os agricultores e os donos de pequenas empresas e, em geral, e de forma majoritária, a população da França rural.
Uma das conseqüências do resultado, além de uma mudança de governo que se dá como certa para os próximos dias, é a fratura de alguns partidos políticos que se viram questionados em sua posição oficial e, em particular, o Partido Socialista (PS).
O eleitorado do PS se dividiu em duas partes quase idênticas, segundo CSA, que assinalou que o principal barão socialista do "não", o ex-primeiro-ministro Laurent Fabius, não conseguiu apesar de tudo despontar como líder do partido.
Segundo CSA, o líder socialista mais valorizado pelos eleitores do PS ainda é o ex-primeiro-ministro Lionel Jospin, seguido do ex-ministro das Finanças Dominique Strauss-Kahn.
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