Schroeder encontra Blair e tenta rever relação com EUA

24 de setembro de 2002 • 09h51 • atualizado às 09h51

O chanceler alemão, Gerhard Schroeder, deve se encontrar hoje com o primeiro-ministro britânico, Tony Blair, em sua primeira viagem após a reeleição no domingo. Um de seus objetivos é controlar uma crise entre a Alemanha e Washington, surgida em razão de sua oposição a um ataque ao Iraque.

Em Londres, Schroeder, que teve na retórica contra a guerra uma de suas principais armas eleitorais, deve tentar minimizar as diferenças européias sobre o tema. A reunião marca um rompimento com uma tradição de longa data, segundo a qual a primeira visita oficial do líder alemão após ser eleito é feita a Paris. A sua ida à Grã-Bretanha reflete as abaladas relações entre Schroeder e o presidente francês, Jacques Chirac. Muitos acreditavam que Chirac estivesse tentando favorecer o candidato da oposição de direita alemã derrotado no domingo, Edmund Stoiber.

Blair, o maior aliado dos Estados Unidos na campanha contra o presidente iraquiano, Saddam Hussein, disse em entrevista a um jornal alemão que Schroeder tinha o direito de ter posição divergente quanto ao Iraque. Autoridades norte-americanas dizem que as relações com a Alemanha foram prejudicadas pela oposição de Schroeder à guerra, assim como pelos supostos comentários de sua ministra da Justiça, que teria dito que Bush tenta criar uma guerra para distrair o público norte-americano dos problemas domésticos, assim como fazia Hitler.

Embora a ministra negue ter feito essa comparação, Schroeder disse no dia seguinte à sua vitória nas urnas que ela não estará mais em seu gabinete. Assim mesmo, a Casa Branca não parece disposta a uma reconciliação imediata e atrasou o envio de uma mensagem congratulatória ao chanceler reeleito.

O secretário da Defesa dos Estados Unidos, Donald Rumsfeld, deve esnobar o seu colega alemão Peter Struck hoje, rejeitando uma conversa com ele durante encontro dos ministros da Defesa da Otan na Polônia. Blair e Schroeder devem discutir um dossiê preparado pelo governo britânico, segundo o qual Saddam vem aumentando os seus estoques de armas químicas e biológicas e estaria pronto para utilizá-las.

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