Marcha neonazista é barrada na Alemanha

08 de maio de 2005 • 11h00 • atualizado às 11h00
Polícia alemã bloqueia passagem de manifestantes neonazistas em Berlim
Polícia alemã bloqueia passagem de manifestantes neonazistas em Berlim
08 de maio de 2005
AP

Uma marcha neonazista em Berlim foi parada por milhares de manifestantes antifascismo neste domingo, após um tenso encontro que ofuscou as celebrações na Alemanha pelo fim da II Guerra Mundial. A polícia prendeu 42 pessoas ¿ 32 de esquerda e 10 de direita ¿ por terem atirado garrafas ou usado a saudação de Adolf Hitler. Uma bomba de fumaça foi atirada contra os neonazistas.

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A polícia de Berlim disse que 6 mil manifestantes se opuseram à presença de integrantes do Partido Nacional Democrático, de extrema direita, nas ruas ao redor da praça de Alexanderplatz, onde 3,3 mil extremistas de direita queriam protestar. Para evitar a violência que poderia surgir do encontro, as autoridades primeiro ordenaram que o partido ficasse na praça atrás de barricadas e da polícia. Depois, o partido decidiu abandonar a marcha.

Os extremistas de direita prepararam a manifestação para este domingo com o slogan "60 anos de mentiras sobre a 'liberação' - hora de colocar fim ao culto da culpa". Os antifascistas já haviam prometido interromper a marcha. A maioria dos alemães vê o final da guerra como um dia de libertação. O slogan da manifestação antinazistas é "Obrigado" em russo ("Spasibo - Nós dizemos obrigado"). Algumas pessoas carregavam cartazes com as frases "Fascismo nunca mais" e "Guerra nunca mais". Outros cartazes mostravam a mensagem "Schoener leben ohne Nazis" (A vida é mais bonita sem nazistas).

No sábado, cerca de 30 mil alemães participaram de uma vigília com velas contra os neonazistas. A passeata percorreu 33 quilômetros em Berlim. "Queremos fazer frente a essas pessoas incorrigíveis que mesmo hoje em dia negam o que aconteceu sob o regime nazista", disse o prefeito de Berlim, Klaus Wowereit, no início do "festival pela democracia" ao redor do Portão de Brandenburgo.

Homenagem
Milhares de habitantes de Berlim evocaram neste domingo, diante do monumento aos soldados soviéticos e em outros lugares históricos, o momento em que o Exército Vermelho içou sua bandeira sobre o Reichstag, e homenagearam os mortos no golpe final contra o nazismo.

No Parque de Treptow, no antigo setor leste de Berlim, havia muitas bandeiras vermelhas com a foice e o martelo e outras do Partido Comunista Alemão (KPD) e do pós-comunista Partido do Socialismo Democrático (PDS), numa homenagem aos milhares de soldados soviéticos enterrados na localidade.

A imponente estátua de um soldado soviético com uma menina nos braços, de 30 metros de altura e 70 toneladas, reuniu ao seu redor berlinenses e veteranos vindos da antiga União Soviética (inclusive do Uzbequistão, do Cazaquistão e do Quirguistão).

"Homenageamos hoje os que fizeram possível a vitória da civilização sobre a barbárie e o fascismo", disse o embaixador russo, Vladimir Kotenev, enquanto os berlinenses depositavam cravos vermelhos e tulipas nos pés da estátua. "Há 60 anos se deu à Alemanha a oportunidade histórica de um novo começo", disse o presidente do Parlamento regional de Berlim, o social-democrata Walter Momper.

Liberdade oriental
Sob a estátua de Treptow, o maior monumento da Alemanha ao Exército Vermelho, jazem 7 mil soldados soviéticos, de um total de 30 mil mortos em Berlim. O mausoléu foi construído com placas de rocha da chancelaria de Hitler. A cerimônia de Treptow foi marcada para as 05h (horário de Brasília), para que os presentes pudessem participar das outras comemorações, como a realizada em outro monumento ao exército soviético da cidade, a cerca de 200 metros da Portão de Brandeburgo, no lado ocidental.

Lá esteve o último primeiro-ministro da Alemanha comunista e presidente honorário do PDS, Hans Modrow, que disse que "pretender que o 8 de maio de 1945 iniciou a libertação apenas de meia Alemanha (a ocidental) é não se informar da História".

O presidente do Partido Verde, Reinhard Bütikofer, que compareceu em nome de seu partido para depositar uma coroa de flores, lembrou que "sem o enorme sacrifício da URSS não se teria libertado a Europa do fascismo". Ele disse ainda que pensar o contrário é incorrer num "revisionismo histórico".

A dureza da ofensiva e a entrada do exército aliado na capital do Terceiro Reich já tinha sido evocada no mesmo local na noite de ontem, com a projeção do documentário "Berlim", filmado por 38 operadores de câmera soviéticos e dirigido por Juli Raisman.

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