Manifestantes protestam após destituição do presidente
Foto: Reuters
O presidente deposto está detido na guarnição militar de La Balbina. A procuradora-geral interina, Cecilia de Armas, decretou a detenção de Gutiérrez por ele ter "ordenado à polícia e aos militares reprimir os manifestantes".
O vice-presidente já prestou juramento como novo presidente do país. O juramento foi feito ante a vice-presidente do Congresso, a social-cristã (OPSC) Cinthya Viteri, em meio a aplausos sonoros dos legisladores presentes na sede do Centro Internacional de Estudos Superiores de Comunicação para a América Latina, no norte de Quito. "Terminou a ditadura", disse Palacio. Gutiérrez deixou de helicóptero o palácio de Carondelet às 14h32 (16h32 em Brasília) com destino desconhecido.
O instável país andino, que teve dois presidentes depostos por protestos populares desde 1997, vive semanas de crise e incerteza política e social. A oposição acusa o ex-coronel Gutiérrez, eleito em 2002, de se comportar como um ditador, por ter preenchido a Suprema Corte com aliados seus, em dezembro. Paradoxalmente, a oposição continua acusando-o de agir ditatorialmente por ter demitido a mesma Suprema Corte, por decreto, recentemente, numa tentativa de controlar a crise política.
Mais cedo, a oposição legislativa do Equador também destituiu o presidente do Parlamento de cem integrantes, Omar Quintana, por abandono de cargo e incapacidade. A resolução foi tomada por 58 votos dados pelos partidos políticos que acusam Quintana de ter apoiado o ex-presidente Gutiérrez em sua tentativa em dezembro de controlar a Suprema Corte. Não ficou clara a base legal para a decisão. As facções opositoras estavam reunidas em uma outra instalação do Parlamento. Quintana é um aliado de Gutiérrez.
Ainda hoje, as Forças Armadas do Equador retiraram o apoio a Gutiérrez, segundo um comunicado lido pelo ministro da Defesa, Nelson Herrera. "O coronel Lucio Gutiérrez abandonou o cargo de presidente e em conseqüência devem operar os mecanismos de sucessão constitucional", afirma textualmente a moção votada. O secretário-geral da presidência, Carlos Pólit, disse que o governo desconhece a decisão do Parlamento.
Os diversos conflitos que vêm acontecendo no país levaram o comandante-geral da polícia do Equador, Jorge Poveda, a apresentar hoje sua demissão a Gutiérrez, ao afirmar que não pode "ser testemunha do confronto do povo". Em declaração aos jornalistas no Comando da Polícia em Quito, Poveda indicou que apresentava a Gutiérrez "a baixa voluntária irrevogável da instituição policial", pois não poderia "seguir prestando" e vendo continuar o "enfrentamento mantido com a população".
Centenas de estudantes equatorianos atearam fogo nas portas do edifício onde funciona provisoriamente o Parlamento hoje pela manhã, em protesto contra Gutiérrez. Os manifestantes entraram nas instalações do Parlamento, no centro de Quito, levando uma tocha. Poucos minutos depois chamas foram vistas na porta do edifício do Legislativo.
A polícia se manteve no lugar, mas não conseguiu conter os estudantes, apesar da grande quantidade de gás lacrimogêneo que lançou contra eles, como mostraram as imagens de TV. O estado do interior do prédio ainda é desconhecido e não foi informado se existem feridos.
Depois dos enfrentamentos, os manifestantes favoráveis ao governo avançaram em uma marcha em direção ao centro de Quito, aparentemente indo para o Palácio Presidencial de Carondelet, em cujos arredores também há protestos contra o governo.
Enquanto os estudantes protagonizavam incidentes no Parlamento, também na região do Conselho Provincial havia enfrentamentos entre manifestantes e a polícia. Durante os confrontos, o secretário de imprensa da presidência, Carlos Pólit, pediu tranqüilidade aos cidadãos e o respeito à Constituição e ao governo.
Cerca de 200 pessoas tiveram que ser atendidas em hospitais da zona, 50 delas com sintomas de asfixia e o resto com contusões e feridas causadas pela intervenção policial contra os manifestantes. Uma mulher morreu atropelada e 130 pessoas tiveram problemas com gás lacrimogêneo.
- Redação Terra

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