"Desta vez não haverá surpresas. Hoje renuncio e vou ver o chefe do Estado", disse Berlusconi aos jornalistas na entrada do Senado, minutos antes de subir à tribuna para fazer o anúncio oficial.
O líder conservador antecipou o que se previa, especialmente depois de ontem, em que a ameaça dos cinco ministros da Aliança Nacional de renunciar se uniu à já formalizada dos quatro da União dos Democratas-Cristãos.
Já na tribuna do Senado, Berlusconi confirmou sua decisão de renunciar e se ofereceu a liderar outro Executivo, já que diz contar com o apoio dos parceiros de centro-direita.
Berlusconi justificou sua renúncia com os resultados das eleições regionais de 3 e 4 de abril, que teve como resultado um forte derrota de sua coalizão para a oposição progressista.
"Entendi esse sinal e pretendo dar uma resposta", afirmou Berlusconi, que reconheceu que seu Executivo "entrou em crise", embora tenha apontado que "os eleitores são quem deve decidir e ninguém percebeu uma mudança na maioria" que governa a Itália.
O ex-primeiro ministro assegurou que todas as forças que integram o bloco de centro-direita pediram que "dê vida" a um novo Gabinete presidido por ele e acrescentou que aceita "esse desafio". "Superaremos as dificuldades", afirmou.
Berlusconi disse acreditar na estabilidade e que tem a intenção de relançar e dar coesão a sua coalizão para chegar até o final da legislatura, previsto para maio de 2006.
O primeiro-ministro expressou ainda sua confiança em que a crise de governo acabará ainda "nesta semana" e assegurou que as mudanças no novo gabinete "não serão tantas".
"Em outros países, como fizeram (o primeiro-ministro britânico, Tony) Blair e (o ex-presidente espanhol José María) Aznar, foi possível fazer mudanças de forma autônoma (sem passar pelo Parlamento), de cinco ou seis ministros", lembrou o chefe do Executivo.
No final de seu discurso, Berlusconi disse que convocou imediatamente o Conselho de Ministros no mesmo recinto do Senado para divulgar a renúncia e depois verá Ciampi.
O chefe de Estado tem que abrir agora um período de consultas entre as diversas forças políticas para encarregar a formação de um novo Gabinete.
Se Berlusconi tem o apoio de seus parceiros de coalizão, Ciampi poderia voltar a encarregar a ele a formação de um novo Gabinete, o que evitaria a realização de eleições antecipadas.
Aliados "apreciam" o gesto
Os líderes da Aliança Nacional e da União dos Democratas-Cristãos (UDC), os aliados de Silvio Berlusconi que nos últimos dias tinham pressionado para a formação de um novo governo na Itália, mostraram seu "apreço" pela decisão do primeiro-ministro de apresentar sua renúncia.
"Berlusconi se saiu bem, fez uma intervenção ótima e essencial, com uma forte referência ao valor da coalizão", disse o líder da AN e ministro de Exteriores, Gianfranco Fini, depois da intervenção do chefe do Executivo no Senado, onde oficializou o anúncio de sua renúncia.
Por sua vez, o dirigente da UDC, Marco Follini, que na sexta-feira anunciou a retirada dos ministros de seu grupo no governo, assinalou que o discurso de Berlusconi foi "apreciável".
Redação Terra