Fiéis rezam na Praça São Pedro |
O sacramento, que envolve a fricção de óleos especiais no enfermo, já foi chamado de "extrema-unção" ou "últimos ritos". Agora é conhecida como "unção dos enfermos". Essa não é a primeira vez que o Papa o recebe. A última foi em 13 de maio de 1981, o dia em que ele foi baleado e quase morto em uma tentativa de assassinato na Praça São Pedro. A agência de notícias AGI citou um cardeal não-identificado dizendo que o papa havia recebido o sacramento mais cedo no dia e que ele estava em um estado "muito grave".
Mais cedo, o Vaticano assegurou que o Papa estaria sofrendo de uma febre muito alta causada por uma infecção urinária. O comunicado do porta-voz da Santa Sé, Joaquín Navarro Valls, diz ainda que o pontífice estava recebendo "tratamento adequado com antibióticos". O secretário de Comunicação Social, Angelo Scelso, presente na Praça São Pedro, garantiu, entretanto, que o Papa estava reagindo.
O apartamento no 10º andar do Hospital Gemelli, em Roma, está pronto para receber o Papa. Apesar de os médicos que assistem o Papa terem descartado uma internação e o Vaticano ter informado que ele passará a noite em seus aposentos, a direção do centro médico colocou à disposição do Papa todo o necessário para atendê-lo de forma rápida e eficiente. O Papa dispõe de um apartamento exclusivo no Gemelli.
Nas últimas horas, apareceram diferentes comentários sobre uma piora da saúde do papa, confirmada na nota emitida pelo Vaticano, que, no entanto, pretende tranqüilizar os fiéis pelo fato do quadro clínico estar controlado. Entretanto, autoridades da Santa Sé manifestaram pessimismo sobre a perspectiva de sua recuperação, afirmando que o Papa entrou numa nova fase, talvez a derradeira, de seu longo papado.
Segundo o cardeal de Viena Christoph Schoenborn, divulgou a agência de notícias austríaca APA, o Papa está "se aproximando, até onde se sabe, do final de sua vida", disse. Entretanto, ele não está desesperado e Schoenborn disse esperar que "o momento de alívio chegue para ele".
O Papa ficou em repouso durante todo o dia de hoje, depois de ontem ter aparecido rapidamente aos fiéis na Praça de São Pedro, onde saudou e deu a benção durante vários minutos, mas não conseguiu falar, apesar de seus esforços. Num comunicado divulgado ontem, o Vaticano se esforçou para mostrar que o papa ainda está no comando da Igreja.
João Paulo II, 84 anos, que sofre há mais de dez anos com o mal de Parkinson, foi hospitalizado duas vezes no mês de fevereiro por graves problemas respiratórios. No dia 24 de fevereiro, o Pontífice foi submetido a uma traqueostomia para favorecer a respiração. O Papa retornou ao Vaticano no dia 13 de março e desde então é atendido no palácio apostólico, onde foi criado um centro médico para seu tratamento.
Luzes do apartamento do Papa estão acesas
As luzes dos aposentos do Papa no Palácio Apostólico Vaticano estão acesas esta noite, depois das 23h do horário local (18h de Brasília), o que é pouco comum. A televisão estatal RAI mostra a fachada do edifício onde está João Paulo II e podem ser vistos os quartos iluminados, o que indica que há atividade em seu interior.
Fiéis se concentram na Praça de São Pedro
Alguns grupos de fiéis começaram a se concentrar na Praça de São Pedro para rezar pela saúde do papa. A notícia da piora no estado de saúde do papa mobilizou grupos de católicos que resolveram ir até as imediações do Vaticano para se juntar em oração. Além disso, unidades móveis de televisão e rádio já se posicionam perto do Vaticano.
Redação Terra