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 Satanismo cresce entre adolescentes na França
23 de março de 2005 15h41

Vinculado com a extrema-direita e no rastro da moda gótica entre os adolescentes, o satanismo cresce na França, despertando a preocupação de círculos encarregados da proteção da juventude e da luta contra as seitas.

O último relatório de uma missão interministerial de vigilância e luta contra este campo sensível das seitas, faz um alerta contra este fenômeno, muito disseminado entre os adolescentes.

Segundo o relatório, está ocorrendo uma "progressão sensível de seitas satânicas na França" ligadas à extrema-direita, como demonstra o aumento de profanações de cemitérios, onde os símbolos satânicos não diferem muito dos símbolos nazistas.

"No entanto, a ação dos grandes movimentos sectários se acalma", segundo o presidente da missão, Jean Louis Langlais, "a atividade dos pequenos grupos se diversifica" e "os tempos que correm são propícios para os desvios sectários".

Esta missão interministerial, encarregada de proteger os menores, alerta para "um movimento muito presente na internet que, para recrutar novos adeptos, se aproveita da cultura gótica, postura estética muito na moda entre os adolescentes".

Dominique Bitton, que dirigiu um estudo sobre as páginas góticas na internet, pôs em destaque os "laços difusos" entre góticos e satânicos, que levam a páginas muito mais radicais, como as dos neonazistas.

Em um artigo intitulado "o satanismo, trampolim da extrema-direita", o jornal Libération lembra que "a origem do movimento satanista atual está na "Igreja de Satã", fundada em 30 de abril - dia da morte de Hitler -de 1966".

A nota cita Paul Ariès, autor do livro Satanisme et Vampirisme (Satanismo e vampirismo), para quem "o desenvolvimento do satanismo e sua aproximação da extrema-direita estão ligados à crise de valores".

A missão interministerial faz uma advertência contra o Black Metal escandinavo, em que a música é utilizada para professar ideais neonazistas e contra os riscos de "amálgamas" com o movimento gótico. Também destaca que não convém ser "nem muito alarmistas, nem muito inocentes".

O relatório mostra preocupação ainda com a "banalização do esoterismo e do ocultismo" e do que pode se esconder por trás da medicina alternativa. Denuncia ainda os regimes "higienistas" e cita o caso de um bebê de 17 meses, morto por causa de um regime vegetariano inadequado.

A missão destaca ainda "os riscos para os menores pela seita a que sua família pertence" e denuncia, por exemplo, a iniciação dos jovens aos prazeres do mundo, preconizada pelos raelianos.

Entre as outras recentes evoluções, o relatório destaca as tentativas de infiltração das seitas nas empresas e o desenvolvimento de grupos, como a seita apocalíptica Néo-phare, cujo guru, Arnaud Mussy, foi condenado a três anos de prisão.

Por último, a missão destaca o "emaranhado" de seitas mais antigas, como a dos adeptos de Ron Hubbard (Cientologia) e Moon.

AFP
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