Sergio Favot, prefeito da cidade, localizada na serra de Córdoba, afirmou estar preocupado com o aparecimento da peça, à venda em uma loja de confecções e artesanato visitado por turistas.
"Estamos avaliando que respaldo legal temos para determos a venda. Acho que há várias medidas e vamos tomá-las com firmeza porque não queremos que nossa cidade seja associada com o nazismo de forma alguma", enfatizou Favot em declarações à Rádio Universidad de Córdoba. "Além disso, me incomoda que façamos apologia desta loucura que foi o totalitarismo de (Adolf) Hitler", emendou.
O prefeito está em Buenos Aires promovendo sua cidade para o feriado da Semana Santa, quando espera receber milhares de turistas argentinos e estrangeiros. A numerosa colônia alemã teve sua origem nos marinheiros do encouraçado Graf Spee que conseguiram sobreviver ao naufrágio da embarcação na costa em frente à capital uruguaia, em 1939, em plena Segunda Guerra Mundial.
Muitos deles foram para as serras de Córdoba, a maioria para Villa General Belgrano, e outros para cidades do Vale de Punilla, como La Cumbre, localizada na mesma província (700 km ao norte). "Para nós, os marinheiros que ficaram morando em Villa General Belgrano são pessoas que colaboraram para fazer a Villa General Belgrano", disse o prefeito Favot.
"Estes jovens tinham na época 20 ou 21 anos e evidentemente pertenciam à Marinha de Guerra de Hitler. Certamente neste contexto e com essa idade, seu trabalho era estratégica e funcionalmente comandada pelo regime nazista. Isto é inegável", explicou. ¿No entanto, isto não quer dizer que as pessoas que ficaram em Villa General Belgrano sejam nazistas, porque definitivamente se integraram a uma comunidade e trabalharam como todos trabalhamos aqui, meus avôs e meus pais, e as pessoas que já estavam radicadas no local", garantiu.
Após a derrota de Hitler, muitos nazistas se radicaram na Argentina, particularmente nas províncias de Córdoba e da Patagônia, dois dos centros turísticos mais importantes do país. Nesta última, por exemplo, foi apresentado no ano passado um curioso guia turístico com 130 páginas, com 69 fotos e uma dúzia de documentos sobre os locais onde viveram e trabalharam ex-líderes do regime alemão.
Também em Bariloche, zona andina cercada de lagos, foi descoberto o ex-oficial das SS Erich Priebke, extraditado em 1995 para a Itália, onde foi julgado e condenado pela matança das Fossas Ardeatinas, em Roma, no final da Segunda Guerra Mundial.
AFP - Todos os direitos de reprodução e representação reservados. Clique aqui para limitações e restrições ao uso.