Papa envia novo sinal de que não renunciará

25 de fevereiro de 2005 • 15h08 • atualizado às 15h08

O papa João Paulo II enviou um novo sinal ao mundo de que seguirá à frente da Igreja enquanto Deus quiser, ao escrever que continua "sendo Totus Tuus (Todo teu)". O fato ocorreu pouco depois de o Pontífice se recuperar da anestesia após traqueostomia a que foi submetido ontem e de ser trasladado a seu quarto na Policlínica Gemelli de Roma.

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    "Totus Tuus" é o lema que João Paulo II escolheu para seu pontificado, e o fato terem sido algumas das primeiras palavras ditas, mesmo que escritas, depois da traqueostomia, foi considerado hoje por observadores vaticanos como a confirmação de que ele está disposto a "se consumir pelo Reino de Deus", como gosta dizer, até o fim de seus dias.

    "Essas palavras são a confirmação de que sua entrega ao Pontificado é total, que está nas mãos de Deus e que está disposto a continuar à frente da barca de Pedro", disseram fontes do Vaticano.

    A redação dessa frase foi confirmada hoje pelo porta-voz Joaquín Navarro Valls. Ele contou que os médicos aconselharam o Papa a não falar por alguns dias "a fim de favorecer a recuperação da função laríngea".

    Segundo Navarro, depois de pedir papel e caneta, o papa escreveu "mas o que vocês me fizeram?", interessado em saber sobre sua saúde. Depois, acrescentou: "Mas eu continuo sendo Totus Tuus".

    Após esta frase não voltou a escrever, mas, segundo os vaticanistas, com essas palavras respondeu aos que põem em dúvida sua capacidade para seguir à frente do papado e que advogam pela renúncia de Karol Wojtyla alegando, entre outras razões, que ela "faria um bem à Igreja".

    Nos últimos dias, João Paulo II pediu, como é habitual, que os fiéis rezem para que ele possa continuar "servindo" (governando) a Igreja, mas suas dificuldades para falar, que podem ser acentuadas devido à traqueostomia voltaram a levantar dúvidas sobre como, eventualmente, poderá exercer seu trabalho.

    No Vaticano, depois da recente polêmica desatada por declarações do cardeal secretário de estado, Angelo Sodano, que, em referência a uma eventual renúncia de João Paulo II, disse que "isso era algo que deveria deixar para sua consciência", evita-se tocar neste tema.

    Cardeais que foram perguntados evitaram se pronunciar sobre o assunto e todos se remetem, pelo menos exteriormente, aos ditos do purpurado Mario Pompedda, que afirmou recentemente que a dificuldade de falar do Papa não conta.

    "O Papa apresenta uma dificuldade para falar que é puramente fonética. Não tem nenhum outro impedimento para expressar seus pensamentos", disse Pompedda, que se mostrou convencido de que, se João Paulo II não puder falar, se expressará por escrito.

    Para Pompedda, o problema se apresentaria se a incapacidade de falar estivesse acompanhada da incapacidade de pensar, e essa não é a situação de João Paulo II.

    A melhoria de João Paulo II devolveu o Vaticano à tranqüilidade e, embora a preocupação não tenha desaparecido totalmente, os membros da Cúria dão por certo que o Papa superou a "prova" e que em poucos dias estará de volta.

    Hoje os cardeais, bispos e outros membros da Cúria Romana se reuniram na Capilla Redemtporis Mater para assistir às predicações da Quaresma, que correram a cargo do Predicador da Casa Pontifícia, o franciscano Raniero Cantalamessa.

    Sobre quando o Papa voltará ao Vaticano ninguém na Santa Sé se atreveu a dar uma data, mas todos coincidem em que ele deve permanecer na Gemelli até que esteja totalmente curado. Alguns asseguram que na última internação o papa recebeu um alta com muita "pressa" e regressou ao Vaticano sem estar totalmente curado.

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