Renúncia dependeria da "consciência" do Papa

07 de fevereiro de 2005 • 18h16 • atualizado às 18h16

Assimina Vlahou

Roma


O cardeal Angelo Sodano, secretário de Estado da Cidade do Vaticano, disse que uma eventual renúncia do Papa João Paulo II é uma questão para "para a sua consciência". O cardeal fez a afirmação durante uma conversa com jornalistas em uma inauguraçao de uma livraria no Vaticano, quando foi perguntado se o pontífice já pensou na possibilidade de se demitir.

"Deixemos para a sua consciência. Se há um homem dirigido pelo Espirito Santo que ama a igreja mais que todos e que sabe o que fazer é justamente ele, devemos ter uma enorme confiança, ele sabe o que deve fazer".

A conversa ocorreu um dia depois da aparição de Joao Paulo II na janela do hospital Gemelli, de onde pronunciou a benção do Angelus com grande dificuldade.

Nao é a primeira vez que se fala numa possível renúncia do Papa por motivos de saúde. João Paulo II, no entanto, sempre afirmou que pretende levar sua missão "até o fim" e "até quando Deus quiser". Ele também já chegou a afirmar em outras ocasasiões que "um pai não se demite de sua função".

Apesar disso, já circulou na imprensa italiana a história de numa carta de demissão que o papa teria escrito e guardado para usar se fosse necessário, o que jamais foi confirmado pelo Vaticano.

A renúncia de um Papa é prevista pelo Codigo de Direito Canônico, a Constituição do Vaticano, no canon 332. Porém, como o Papa detém o poder máximo na igreja, somente ele pode decidir sobre sua renúncia.

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