Assimina Vlahou
Itália
Apesar de o tom otimista dos boletins oficiais, o estado de saúde frágil de João Paulo II, que em maio completará 85 anos, preocupa pacientes, funcionários do hospital e fiéis que visitam o Vaticano.
Preocupação
"A gente vê que ele está mal todas as vezes que o ouvimos falar. A situação nos preocupa", disse uma grávida que está no Gemelli para dar à luz.
A mesma apreensão foi manifestada por uma enfermeira, que já viu o Papa ser internado aqui outras vezes.
"No começo, disseram que era uma simples gripe, mas parece que não é apenas isso". Com dificuldade para atravessar a barreira de jornalistas, dois religiosos poloneses, uma freira e o padre dominicano Stanislao, levaram grandes maços de flores.
"Queremos que sejam entregues ao Papa", disse a freira. Ela não pôde subir e deixou as flores na portaria. O padre Stanislao subiu mas não conseguiu ver o pontífice.
"Hoje não o vi mas me disseram que está tranqüilo", disse, não escondendo, porém, um pouco de preocupação. Quando lhe perguntaram qual era seu sentimento sobre o estado de saúde de João Paulo II, ele respondeu: "Grande medo, porque com esta idade é muito difícil".
A audiência pública das quartas-feiras na praça de São Pedro foi cancelada, mas muitas pessoas não estavam informadas sobre a internação do Papa. Outras foram do mesmo jeito para a frente da basílica para rezar por ele nesta quarta-feira.
Um coro de peregrinos australianos, com cerca de 65 pessoas, que deveria encontrar o santo padre durante a audiência, resolveu homenageá-lo indo ao hospital.
Na praça em frente ao Gemelli, entoaram uma canção para desejar o restabelecimento do Papa o quanto antes.
Poloneses
O padre Stanislao informou que centenas de peregrinos poloneses que tinham vindo para a audiência das quartas-feiras não vão embora enquanto não tiverem notícias boas sobre o estado de saúde do Papa. Eles vão fazer uma corrente de orações e rezar missas para que João Paulo II se recupere rapidamente.
É a oitava vez que o Papa João Paulo II é internado no hospital Agostino Gemelli, ligado à faculdade de Medicina da Universidade Católica. A primeira foi no dia do atentado que sofreu na praça de São Pedro, em 13 de maio de 1981. Desde então, o décimo andar fica reservado para João Paulo II.
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