ONG diz que eleição no Iraque teve poucas fraudes

30 de janeiro de 2005 • 16h21 • atualizado às 16h21

A organização que coordena 10 mil observadores independentes assegurou hoje que foram registradas "poucas fraudes" nas eleições do Iraque. A votação ocorrida hoje teve pelo menos 60% de participação, segundo a Comissão Eleitoral iraquiana. O pleito, o primeiro em 50 anos, terminou às 17h e a apuração dos votos está em andamento.

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    Em uma entrevista coletiva, o porta-voz da Comissão Eleitoral, Farid Ayar, disse que os 72% de participação, divulgados anteriormente, eram uma estimativa e que talvez até oito milhões de iraquianos tenham votado, o que representaria pouco mais de 60% daqueles registrados para votar.

    A ONG Ain (Oeil), responsável por coordenar 10 mil observadores iraquianos, considerou que o pleito transcorreu com êxito. "De maneira geral, nossos observadores comprovaram que as eleições foram conduzidas de forma excelente e houve poucas violações e fraudes", declarou à imprensa o porta-voz da ONG. O porta-voz, Najm al Rubai, não mencionou os atentados em Bagdá, mas informou sobre atrasos na abertura de alguns colégios eleitorais.

    "Não registramos violações por parte da Comissão Eleitoral", disse. Ele afirmou que as províncias do Curdistão registraram grande número de eleitores. Na cidade multiétnica de Kirkuk, onde os atentados contra colégios eleitorais se multiplicaram nos últimos dias, foi registrado apenas um ataque com morteiro contra um centro de votação, "mas tudo continuou normalmente", explicou.

    "Os informes falam da tranqüilidade em áreas habitadas pelos curdos e a taxa de participação árabe que também foi boa na província de Taamin, da qual Kirkuk é a capital", assegurou Rubai.

    Em Mossul, mais ao norte, o número de eleitores aumentou na parte da tarde, mas poucos se arriscaram. Enquanto "só três pessoas" votaram no colégio Al Zahra, o centro eleitoral do bairro Al Nour registrou uma grande movimentação. Os disparos de obus de morteiro caíram sobre a região instável de Tall Afar, onde "as forças americanas intervieram".

    A violência também afetou a província de Diyala, ao norte de Bagdá, onde "quatro explosões foram registradas em quatro colégios eleitorais", disse Rubai. Na província rebelde de Al Anbar (oeste), não pôde ser estabelecido contato com nenhum colégio em Al Qaem "devido ao mal estado das comunicações". Nas províncias do Sul, em Samaua, Wasit, Misane e Basura, a situação era boa e "alguns colégios eleitorais abriram antes da hora em Misane", acrescentou. Em Basura, um ataque com morteiro contra um colégio eleitoral levou ao fechamento do local.

    Segundo comunicado do ministério do Interior, os atentados mataram 30 civis e seis policiais iraquianos. O grupo ligado à Al-Qaeda do jordaniano Abu Musab Al-Zarqawi assumiu a responsabilidade por diversos ataques suicidas, de acordo com uma declaração divulgada em um site islâmico.

    A contagem das cédulas eleitorais se fazia, em alguns bairros de Bagdá e nos arredores da cidade meridional de Basra, à luz de lampiões, devido a problemas de falta de energia nessas cidades, constataram fotógrafos da AFP.

    A apuração dos votos já foi iniciada. A contagem das cédulas eleitorais se fazia, em alguns bairros de Bagdá e nos arredores da cidade meridional de Basra, à luz de lampiões, devido a problemas de falta de energia nessas cidades.

    Os funcionários e escrutinadores abriram as urnas para começar a contagem dos votos com a ajuda de lampiões de gás colocados sobre a mesa, como no centro eleitoral de Xeque Marouf, um bairro do centro da capital, ou em Abou al-Khassib, ao sul de Basra.

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