Atentados matam 36 em dia de eleições no Iraque

30 de janeiro de 2005 • 03h54 • atualizado às 03h54
Mulher é revistada antes de votar em Bagdá Foto: AP
Mulher é revistada antes de votar em Bagdá
30 de janeiro de 2005
Foto: AP

No dia das primeiras eleições livres em 50 anos no Iraque, explosões e atentados mataram 36 pessoas, sendo que 17 apenas em Bagdá. Na cidade de Samarra, as eleições foram canceladas por falta de segurança. A votação vai até às 17h (12h de Brasília).

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    Nas últimas horas do pleito, um novo atentado foi registrado contra um ônibus com eleitores matou cinco pessoas em uma cidade ao sul de Bagdá. A bomba instalada embaixo do veículo deixou 14 feridos, segundo fontes policiais e médicas. O ônibus transportava eleitores em Mahauil, a 75 quilômetros de Bagdá. "Os eleitores vinham de Albu Aluan (povoado completamente sunita)", disse o capitão de polícia Ahmad al-Samaui. A maior parte dos ataques aconteceu em Bagdá. Segundo a polícia, foram oito atentados. O último foi registrado por volta das 12h (7h de Brasília) numa seção eleitoral da escola Al Asil, em Nova Bagdá (leste).

    Dois policiais morreram e outros dois ficaram feridos quando um suicida detonou os explosivos que levava junto ao corpo na porta do centro de votação. O mesmo aconteceu nos outros sete atentados suicidas na capital, que deixaram um total de 17 mortos.

    O ataque mais fatal ocorreu quando um homem com explosivos no corpo os detonou em uma fila em um posto de votação no leste de Bagdá, matando seis pessoas, segundo uma autoridade. Outro militante suicida matou quatro pessoas em um centro de votação na favela Cidade Sadr, um reduto xiita.

    Fontes policiais anunciaram a morte de pelo menos sete pessoas em diferentes ataques com morteiros contra várias seções eleitorais em Bagdá e em outras cidades do país, principalmente no triângulo sunita.

    Os últimos dois atentados com projéteis foram registrados na cidade de Balad, 70 quilômetros ao norte da capital. Duas pessoas morreram e 14 ficaram feridas, em dois centros de votação, segundo fontes da Comissão Eleitoral do Iraque.

    Um grupo ligado à rede Al-Qaeda no Iraque assumiu responsabilidade por diversos ataques suicidas, de acordo com uma declaração em um site islâmico. "Leões da brigada de mártires da Organização Al Qaeda pela Guerra Santa no Iraque atacaram diversos postos de votação em Bagdá e em outros locais", disse o grupo liderado pelo militante jordaniano Abu Musab Al-Zarqawi.

    Ao votar hoje na fortificada Zona Verde, o primeiro-ministro interino, Iyad Allawi, exortou seus compatriotas a desafiar os rebeldes e ir às urnas. "Este é um momento histórico para o Iraque, quando os iraquianos podem estar com a cabeça erguida, porque estão desafiando os terroristas e começando a escrever seu futuro com suas próprias mãos", afirmou ele a repórteres.

    Muitos eleitores xiitas e curdos não se intimidaram pelas ameaças, mas o mesmo não aconteceu nas áreas dos árabes sunitas, onde a violência tem sido mais intensa e poucas pessoas foram aos postos de votação.

    A taxa de participação nas eleições gerais iraquianas chegou a 72% dos eleitores inscritos a duas horas do fechamento dos locais de votação, anunciou um funcionário da Comissão Eleitoral independente.

  • Redação Terra
     
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