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 Moscou pode encerrar caso Timoshenko após revirvolta na Ucrânia
28 de janeiro de 2005 16h15

Políticos russos estão convencidos de que a reviravolta ocorrida na Ucrânia com o polêmico processo contra a primeira-ministra em funções, Yulia Timoshenko, obrigará Moscou a retirar suas próprias acusações contra a carismática política.

A Procuradoria Geral da Ucrânia anunciou hoje que retirou todas as acusações feitas pelas antigas autoridades do país contra Timoshenko, aliada do novo presidente ucraniano, Viktor Yushchenko, e escolhida por ele para liderar seu governo.

Segunda-feira, Yushchenko nomeou Timoshenko primeira-ministra, e hoje apresentou sua candidatura à Rada (Parlamento), para que a aprove como chefe do governo ucraniano.

"Encerramos o caso contra Timoshenko. Em suas ações não há indícios de delito", declarou, em Kiev, o procurador-geral, Sviatoslav Piskún, que lembrou que o caso se arrasta desde 1996 e nunca foram encontradas provas que confirmassem as acusações de corrupção.

Piskún disse que foram encerrados todos os processos abertos contra Timoshenko, seu marido e seu sogro quando ela liderava o consórcio energético ucraniano EESU.

Na quarta-feira, seu colega russo, Vladímir Ustinov, disse, no entanto, que a Procuradoria de seu país continuará uma investigação na qual figura Timoshenko, que há pouco tempo liderava, junto com Yushchenko, a oposição liberal ucraniana, mal vista por Moscou.

O 23 de setembro do ano passado, em plena campanha presidencial ucraniana, a Procuradoria Militar russa estendeu uma ordem internacional de prisão contra Timoshenko, acusada de ter subornado cinco altos comandantes das Forças Armadas russas em 1996.

Por sua vez, a justiça russa ditou uma ordem de detenção preventiva contra a política ucraniana.

"As ordens de detenção são ditadas por tribunais, não pela Procuradoria", com essas palavras, Ustinov respondeu a pergunta sobre se a primeira-ministra ucraniana será detida caso visite a Rússia.

No entanto, Yushchenko, depois de uma reunião na segunda-feira, em Moscou, com o presidente da Rússia, Vladimir Putin, disse que estava "satisfeito" pela resposta de seu colega "à pergunta sobre a possibilidade de que Yulia Timoshenko cruze a fronteira russa".

Fontes do Kremlin, citadas pelo jornal "Kommersant" deram a entender que Putin "poria freio" ao caso, aberto por Moscou a pedido dos inimigos de Timoshenko na administração do ex-presidente ucraniano Leonid Kuchma.

Timoshenko, economista de 44 anos, foi o motor da "Revolução Laranja", a campanha de protestos populares contra a fraude eleitoral nas presidenciais do ano passado, e que levou à vitória de Yushchenko.

EFE
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