Tsunami pode levar 2 milhões de pessoas à pobreza

13 de janeiro de 2005 • 11h10 • atualizado às 11h10

O maremoto que varreu em 26 de dezembro o litoral do Oceano Índico pode gerar dois milhões de novos pobres na Ásia, mas o impacto sobre as economias será fraco, pelo menos na Indonésia, Índia e Tailândia, informa hoje o Banco Asiático de Desenvolvimento (BAD). A catástrofe pode ter criado um milhão de novos pobres apenas na Indonésia, 645 mil na Índia e 250 mil no Sri Lanka. Nas Maldivas, metade da população foi afetada e mais da metade de seus 287 mil habitantes poderá cair na pobreza.

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    No relatório do Banco, o economista-chefe, Ifzal Ali, alerta sobre um "enorme" aumento da pobreza devido aos quase 160 mil mortos calculados até agora. "A pobreza é potencialmente o mais importante efeito deste desastre natural", completa.

    No entanto, apesar do efeito devastador da catástrofe sobre a população das regiões afetadas, a resistência da Ásia aos choques externos minimizará seu impacto no crescimento do conjunto da região. "É um acontecimento terrivelmente trágico para milhões de pessoas, mas as economias dos países afetados podem superá-lo sem grandes danos, exceto nos casos do Sri Lanka e das Maldivas", afirma o economista.

    Na Indonésia, Índia e Tailândia, os danos se concentram nas zonas rurais mais do que nas regiões densamente povoadas e industriais, que são as que geram crescimento econômico. Na Indonésia, onde 111 milhões de pessoas vivem com um máximo de dois dólares diários, os danos se centraram na província de Aceh (noroeste), que só contribui com 2% do PIB nacional. As instalações petroleiras e de gás localizadas na zona parecem intactas.

    Na Índia, as repercussões do maremoto parecem atenuadas pelo gigantesco tamanho do país. Na Tailândia, os danos se limitam às regiões turísticas do sul, que só representam 3% do PIB. "O maior risco para a economia (da Tailândia) procede da possibilidade de que os turistas percebam o país como um destino pouco seguro, o que então poderia afetar a nação em seu conjunto".

    Índia, Indonésia, Malásia e Tailândia estão bem preparadas para enfrentar o choque graças ao forte crescimento registrado desde 2001. "As finanças desses países melhoraram e suas reservas são elevadas", diz o estudo.

    A catástrofe poderá, inclusive, reativar a atividade econômica em longo prazo: "A reconstrução requer novos investimentos que poderão ter um impacto positivo. Todo investimento pode gerar emprego", recorda o banco, que já percebe "um aumento da demanda de produtos e serviços como alimentos, água, medicamentos e materiais de construção". "Conseqüentemente, é possível que o impacto global seja, de alguma maneira, positivo" no âmbito econômico da região, conclui.

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