As autoridades escolares do Condado de Los Angeles aprovaram hoje a proibição da venda de refrigerantes aos 735 mil estudantes da região, por causa da preocupação com a obesidade infantil. A decisão foi unânime e vai vigorar a partir de janeiro de 2004. As escolas argumentavam que precisam do dinheiro arrecadado com a venda de refrigerantes em máquinas, mas as autoridades consideraram que a saúde das crianças é prioritária. A perda da arrecadação deve ser compensada por alguma medida a ser tomada em seis meses.
"Acho assustador que a gente esteja discutindo economia enquanto há risco para a saúde das crianças", afirmou Marlene Canter, autora da proposta. No auditório escolar em que a reunião das autoridades foi feita, uma máquina vendia garrafas grandes de refrigerante a um dólar cada.
A decisão foi acompanhada com atenção por educadores e ativistas de todo o país, preocupados com os recentes estudos que mostram que triplicou em 20 anos o número de adolescentes obesos nos Estados Unidos, devido à má alimentação e à falta de exercícios. Já há alguns precedentes isolados no país de escolas que proíbem a venda de refrigerantes. No Texas, as bebidas não podem ser vendidas durante a hora do almoço.
Durante os próximos três anos, as máquinas de vendas em Los Angeles vão substituir gradualmente os refrigerantes por água, leite, sucos e bebidas isotônicas. "Trata-se mais de seguir a moda do que de resolver o problema da obesidade infantil", disse Mike Lansing, membro da comissão que votou contra a medida por considerar que os refrigerantes são apenas parte do problema alimentar.
Sean McBride, porta-voz da associação nacional de fabricantes de refrigerantes, afirma que esse tipo de produto está sendo usado como bode expiatório. A engarrafadora da Coca-Cola na região disse que, sem as vendas em escolas, alguns projetos educacionais patrocinados pela empresa terão de ser desativados. Conforme pesquisa da indústria, cada aluno da escola secundária toma em média duas latas de refrigerante por semana. Segundo Canter, a autora da proposta, o açúcar da bebida dificulta a concentração nas aulas.