Tris, Jacarta, Indonésia:
"Há cerca de cinco minutos, uma repórter famosa da maior estação de TV daqui chorou quando dava notícias ao vivo de Banda Aceh, consternada. A cidade parece um enorme depósito de lixo, com cadáveres ainda espalhados por toda a parte, escombros bloqueando ruas com possíveis vítimas do tsunami nessas áreas. A ajuda nem chegou ainda à capital da província de Aceh. Pessoas famintas tentaram arrombar uma mercearia e só encontraram comida coberta em lama, água e corpos de pessoas que não puderam escapar quando o tsunami atingiu a costa."
Kevin Kartasasmita, Jacarta, Indonésia:
"Em Aceh, há, neste momento, muitos cadáveres na rua. Muita gente passa fome nas montanhas. Eles ficam lá porque querem se salvar do tsunami. Então, por favor, nós imploramos por sua ajuda à Indonésia. Nós esperamos que a ajuda internacional chegue rápido a Aceh. Por favor".
Vijay, Chennai, Índia:
"O quadro está ficando mais sangrento a cada hora que passa. Dois dias depois da tragédia, não há mais tempo para identificar os corpos. A maioria deles começou a sofrer decomposição. É uma imagem horrenda ver corpos espalhados ao longo da costa, presos em árvores e arbustos. O ar está impregnado de um cheiro ruim e do lamento dos sobreviventes. Nossa cultura coloca muita ênfase nos últimos direitos de quem morre, mas agora é de cortar o coração ver covas sendo cobertas com corpos empurrados por escavadeiras".
Bala Karunakaran, Killinochi, Sri Lanka:
"Eu sou um estudante de medicina do King's College, em Londres, que fazia estágio no hospital geral Killinochi, no norte do Sri Lanka. Eu nunca vi um caos como este. As pessoas foram trazidas rapidamente para o nosso hospital em ônibus. Nosso mortuário está superlotado com corpos. A maioria dos mortos é formada por mulheres e crianças pequenas. Nós também temos muitas crianças pequenas em nossas alas que ainda têm que ser identificadas. Até a noite de ontem, nós tínhamos mais de 700 feridos e 120 mortos só no nosso hospital. O hospital ficou sem espaço e recursos, e nós tivemos que desviar casos de pequenos ferimentos para uma escola local para que os estudantes de medicina os atendessem.
Roshan Gooneratne, Mt. Lavinia, Sri Lanka:
"Todo o Sri Lanka está em estado de choque. Para um país que não tinha experiência de desastres naturais desta magnitude, com inundações ocasionais em certas partes da ilha, é realmente um dia muito sombrio para todos nós. Mas, o que eu vejo hoje é o apoio inabalável e a fraternidade manifestada por todos no Sri Lanka, independentemente de raça e religião, para ajudar seus conterrâneos em apuros. As pessoas já estão contribuindo de muitas formas para auxiliar os desabrigados, empresas privadas oferecem apoio material e financeiro. Em meio ao desespero, este é um lampejo de esperança".
Anna Serafino, Phuket, Tailândia:
Uma cena horrível que não esquecerei jamais. Senti que a terra tremia e saí da casa a toda velocidade. Subi na minha moto e fui para as colinas. Quando parei, vi do alto uma onda alta de quatro metros que atingia o povoado. Quando regressei tudo estava destruído, era um palco horrível. Vi corpos boiando ao lado de peixes mortos. Me salvei porque pensei que era uma onda gigante produzida por um maremoto. A onda destruiu muito, mas o pior, o mais terrível foi o refluxo, que arrastava as pessoas, os veículos, os edifícios".
Redação Terra