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Batalha do Bulge da II Guerra Mundial faz 60 anos

16 de dezembro de 2004 19h02

Vincent Vicari foi membro da 101ª divisão americana de pára-quedistas que conseguiu conter a ofensiva alemã em Bastogne. Foto: AP

Vincent Vicari foi membro da 101ª divisão americana de pára-quedistas que conseguiu conter a ofensiva alemã em Bastogne
Foto: AP

Há 60 anos, no dia 16 de dezembro de 1944, a Alemanha nazista lançava nas Ardenas belgas sua última grande ofensiva, que seria uma das batalhas mais sangrentas da Segunda Guerra Mundial: a batalha do Bulge. Seis meses depois do desembarque na Normandia e quando os belgas se preparavam para celebrar seu primeiro Natal em liberdade depois de cinco anos, Hitler pretendia dividir a Bélgica em duas, alcançar o porto de Antuérpia e isolar assim os exércitos aliados que combatiam na Holanda.

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    Às 5h30, o ataque começou a partir de Monschau, na fronteira entre Alemanha e Bélgica, e de Echternach em Luxemburgo. As tropas avançadas americanas foram pegas de surpresa. Para os civis começou um novo êxodo em pleno inverno.

    Durante os dois primeiros dias da ofensiva, as colunas blindadas SS romperam as defesas americanas, cometendo atrocidades sobretudo na região de Stavelot e de Trois Ponts, ao norte das Ardenas.

    O caos nas linhas aliadas era quase total. As SS lançaram por trás das primeiras linhas inimigas pára-quedistas disfarçados com uniformes americanos que falavam inglês perfeitamente, responsáveis por executar atos de sabotagem e espalhar boatos entre os oficiais dos Estados Unidos.

    Em Bastogne, a 101ª divisão americana de pára-quedistas que chegava em caminhões de Reims (leste da França), conseguiu conter a ofensiva alemã, mas a cidade estava completamente cercada. O general George Smith Patton, no comando do Terceiro Exército, lançou então uma contra-ofensiva em meio a uma forte nevasca. Em Bastogne, o general Tony McAuliffe resiste e não aceita a rendição.

    Uma semana depois do início da ofensiva, graças às melhores condições climáticas, a aviação aliada conseguiu agir com todo seu poderio bélico contra os "panzer" alemães e abastecer a sitiada Bastogne. Até o Natal, a batalha causou furor, mas no dia 26 de dezembro, Patton conseguiu romper o cerco de Bastogne e executar um avanço estratégico que seria decisivo para o resultado final da batalha.

    As posições se mantiveram relativamente estáveis até 17 de janeiro, mas pouco a pouco os alemães começaram a perder terreno, à medida que grande parte de seus blindados era destruída ou ficava imobilizada pela falta de combustível, que eles pensavam em roubar dos aliados. Sangrentos combates, inclusive corpo a corpo e com armas brancas, foram registrados até 18 de janeiro de 1945, data oficial do fim da batalha das Ardenas.

    Porém, apenas no dia 31 de janeiro as tropas alemãs foram empurradas para mais além da linha de frente da qual haviam partido em 16 de dezembro. Esta vitória, particularmente dolorosa - quase 15 mil mortos americanos e 2,5 mil civis belgas - acelerou bastante o fim da guerra.

    Hitler jogou tudo nas Ardenas. Os homens e o equipamento perdidos nesta batalha fizeram falta algumas semanas depois na defesa de seu território.

    A história do começo ao fim da companhia Easy, da 101ª Divisão de pára-quedistas, é narrada na minissérie para a televisão "Band of Brothers", de Steven Spielberg e Tom Hanks, com dois episódios sobre a batalha do Bulge.

  • AFP
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