Arábes suspeitam que Arafat foi envenenado

15 de novembro de 2004 • 19h19 • atualizado às 19h19

A tese de morte por envenenamento do líder palestino Yasser Arafat ganhou terreno entre os árabes apesar de ter sido desmentida oficialmente, inclusive pelas fontes dos próprios palestinos. O envenenamento é uma "explicação" comum entre os árabes quando se trata da morte de grandes líderes, especialmente, quando esta chega rapidamente.

Essa hipótese surgiu após a morte, em setembro de 1979, do líder egípcio Gamal Abdel Nasser, falecido inesperadamente quando mediava as negociações entre palestinos e jordanianos após o massacre do "setembro negro" nos campos palestinos da Jordânia. Rumor parecido rondou a morte, em 1978, do presidente argelino Houari Boumediene, de 52 anos que passou três meses em coma profundo do qual não despertou.

No caso de Arafat, o rumor de seu envenenamento foi alimentado por declarações que não descartavam essa "eventualidade". Essas informações persistem, apesar de os oficiais palestinos e serviços médicos franceses que cuidaram do líder até sua morte negarem a hipótese.

O médico pessoal de Arafat, o jordaniano Achraf al Kurdi, reavivou as suspeitas ao pedir uma investigação sobre a morte e mencionando, inclusive, a hipótese da realização de uma autópsia; algo não permitido pelo Islã. Farouk Kaddoumi, novo líder da Fatah, grupo fundado por Arafat, disse que o dirigente palestino morreu vítima de "envenenamento" que atribuiu a Israel.

"Para mim, é um veneno que não possui antídoto", disse Kaddoumi, neste domingo. "Os médicos dizem que é um veneno lento. Não sabemos lamentavelmente quando foi administrado", disse.

A tese foi levada a sério por vários jornais árabes que consultaram especialistas. Membros do Centro Nacional de Toxicologia confirmaram ao jornal governamental egípcio Al Ahram, que "um novo tipo de veneno, que não deixa traços, poderia ter sido utilizado".

"É possível que o dirigente palestino tenha absorvido durante um longo período quantidades limitadas, mas contínuas que alteraram a composição de seu sangue", divulgaram os especialistas. Outros reforçam a declaração de Leila Chahid, representante palestina na França. Chahid disse que "ao menos fisicamente os israelenses não envenenaram Arafat, envenenaram sua vida" ao mantê-lo confinado três anos em seu quartel de Ramallah de onde saiu para morrer em um hospital da França.

O ministro francês da Saúde, Philippe Douste-Blazy, declarou neste domingo que "todo o relatório médico, científico, tecnológico foi realizado no término dos procedimentos, como tratamento, e nada me faz pensar que houve um envenenamento". A Chancelaria francesa reiterou hoje que sobre a doença e a morte de Arafat "continua mantendo" o segredo médico.

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