Causa da morte de Arafat continua sob sigilo médico, diz França

15 de novembro de 2004 • 13h21 • atualizado às 13h21

O sigilo médico sobre a doença que matou o líder palestino Yasser Arafat na quinta-feira passada em um hospital nos arredores de Paris se mantém, informou nesta segunda-feira o Ministério de Exteriores da França.

"O sigilo médico continua e não tenho nada a acrescentar", disse o porta-voz Hervé Ladsous, ao ser consultado sobre o assunto em entrevista coletiva.

Arafat morreu na quinta-feira aos 75 anos no hospital militar de Percy, onde tinha sido internado 13 dias antes e onde ficou oito dias em coma.

Depois do anúncio da morte, as autoridades do centro médico se ampararam no sigilo médico para não revelar informações sobre a origem da doença e a causa do falecimento. "O sigilo médico faz parte da lei francesa e nós o respeitaremos. Não daremos qualquer informação médica", afirmou então o responsável pelos serviços médicos do exército francês, o general Christian Estripeau.

A falta de informação sobre a causa da morte de Arafat deu origem a diversas especulações, entre elas a de um possível envenenamento, defendida por alguns dirigentes palestinos, sem que por enquanto nada sustente essa ou outras hipóteses.

O ministro da Saúde francês, Philippe Douste-Blazy, disse ontem que "nada leva a pensar" que Arafat tenha sido envenenado, e acrescentou que apenas a família de Arafat teve acesso a todo o histórico médico.

Outra polêmica gerada em torno do presidente da Autoridade Nacional Palestina (ANP) surge da revelação de que no atestado de óbito de Arafat figura Jerusalém como cidade natal, apesar de seus biógrafos afirmarem que ele nasceu no Cairo.

Fontes da prefeitura de Clamart, onde fica o hospital de Percy, confirmaram hoje que a menção de Jerusalém foi incluída no atestado de óbito com base no livro de família francês apresentado pela viúva de Arafat, Suha.

Esse documento, que data de 1996, foi emitido pelo Ministério de Exteriores da França depois do nascimento da única filha de Arafat, Zahwa, em Paris, onde vive Suha.

O fato de Jerusalém constar como local de nascimento de Arafat em seu atestado de óbito tinha sido qualificado pela comunidade judaica francesa como "uma tentativa de falsificar a verdade e a História".

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