Ministro palestino e médicos negam morte de Arafat

09 de novembro de 2004 • 12h07 • atualizado às 12h07

O ministro palestino Saeb Erakat e os médicos frances negaram a veracidade de notícia divulgada pela agência Reuters sobre a morte do presidente da Autoridade Nacional Palestina (ANP), Yasser Arafat. Erakat afirmou que ele se encontra em "estado crítico, mas segue vivo".

Logo após uma outra autoridade palestina, o ministro de Relações Exteriores, Nabil Shaath, disse à CNN que ainda não foi tomada nenhuma decisão para desligar os aparelhos que mantêm Arafat vivo, confirmando a morte cerebral. "Não acreditamos na eutanásia. Está fora de questão que alguém tome uma decisão em relação aos aparelhos", disse. Segundo ele, está descartado que a doença de Arafat seja câncer ou decorrente de envenenamento.

A agência Reuters, citando três fontes palestinas, afirmou hoje que Arafat estaria morto desde a noite passada após uma hemorragia cerebral. A rede de televisão árabe Al-Arabiya também anunciou a morte.

Em Ramalá, na Cisjordânia, o secretário da presidência da Autoridade Palestina, Tayeb Abdelrahim, disse que os médicos franceses estão tentando reter uma hemorragia cerebral em Yasser Arafat. Abdelrahim informou que, quando morrer, o líder palestino será enterrado em seu quartal-general em Ramalá, conhecido como Muqata.

O presidente da ANP está internado em coma no hospital militar de Percy, nas proximidades de Paris. O serviço de saúde do exército francês declarou, logo depois dos rumores sobre a morte, que Arafat "não está morto", assegurando que "os termos do comunicado difundido neste dia pelo general Christian Estripeau continuam sendo válidos".

Fontes da delegação palestina que, mais cedo, visitaram o dirigente no hospital, disseram que o estado de saúde do líder palestino é "muito grave" e que ele tem poucas horas de vida.

A informação da morte também foi divulgada pelas rádios israelenses e pelos jornais Haaretz e La Repubblica. A mídia israelense chegou a afirmar que Arafat será desligado dos aparelhos que o mantêm vivo depois da visita dos líderes palestinos.

Segundo a rede Al-Jazira, citando fontes palestinas, a declaração de morte de Arafat só será dada na cidade de Ramalá, na Cisjordânia, Segundo a rede, a delegação palestina deve voltar com urgência aos territórios palestinos depois de se reunir, ainda hoje, com o presidente da França, Jacques Chirac.

O primeiro-ministro da ANP, Ahmed Qorei, o ministro de Exteriores, Nabil Shaat, e o presidente do Conselho Legislativo, Ruhi Fatuh, visitaram hoje Arafat em hospital. Nabil Shaat, disse que Arafat continua ligado a um aparelho de respiração. Qorei foi o único que pôde ver Arafat, pois entrou na Unidade de Tratamento Intensivo acompanhado apenas por uma guarda-costas do presidente. No entanto, todos eles receberam um relatório detalhado dos médicos que atendem ao líder histórico palestino no hospital.

O estado de Arafat agravou-se na noite passada, mas oficialmente ninguém confirmou sua morte. Horas antes, as autoridades médicas militares francesas haviam afirmado que o estado de Arafat havia se agravado durante a noite e que seu coma era "mais profundo". Foi a primeira vez que os médicos franceses se mostraram tão alarmistas sobre a condição de Arafat desde que este deu entrada no hospital de Percy em 29 de outubro.

Redação Terra
 
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