Em comunicado lido na porta do Hospital Militar Percy, em Clamart, Faruk Kaddumi (Abu Lotf), chefe de Relações Exteriores da Organização para a Libertação da Palestina (OLP) menciona "os esforços contínuos da equipe médica que acompanha o tratamento para salvar a vida de Yasser Arafat, pondo a sua disposição todos os meios necessários para cuidar dele e ajudá-lo a recuperar completamente sua saúde".
Além disso, a mensagem agradece ao presidente Jacques Chirac, "pelo enorme interesse demonstrado fornecendo todos os cuidados médicos necessários para o tratamento do presidente Yasser Arafat".
"Acertamos com a equipe médica que supervisiona o tratamento de Arafat que ela será a única entidade autorizada a divulgar tais comunicados", disse. "Nenhuma outra entidade, qualquer que seja, está autorizada a dar qualquer informação relativa ao estado de saúde do presidente Arafat", insistiu, lembrando "as declarações contraditórias formuladas por várias pessoas ou organizações, próximas ou distantes, relativas ao estado de saúde do presidente Arafat".
A representante da Autoridade Palestina na França, Leila Shahid, negou que Arafat tenha sofrido morte cerebral. "Em seu estado de saúde e com sua idade, Yasser Arafat está em uma crítica encruzilhada entre a vida e a morte", disse Shahid, espécie de embaixadora palestina em Paris, à rádio francesa RTL. "Ele não está com morte cerebral. Está em coma - não temos certeza de que tipo. Mas é um coma reversível".
Na quinta-feira, um porta-voz da junta médica admitiu à imprensa que o presidente sofreu morte cerebral, informação ainda não confirmada, e que a confusão ocorreu devido à legislação francesa. No país, a morte é somente oficializada quando o coração do paciente pára, o que não ocorreu com Arafat.
Preparativos para o enterro
As autoridades palestinas se recusam a comentar abertamente os preparativos do funeral, mas Arafat já afirmou que gostaria de ser enterrado em Jerusalém, cidade sagrada reivindicada parcialmente pelos palestinos como capital de seu eventual Estado. Israel prefere que ele seja sepultado na Faixa de Gaza.
"Jerusalém é uma cidade onde os judeus enterram seus reis. Não é uma cidade onde queiramos sepultar um terrorista árabe, um assassino das massas", disse o ministro israelense da Justiça, Yosef Lapid, a uma TV local.
Alguns dos poderes de Arafat, relativos à segurança e finanças, já foram transferidos para o primeiro-ministro Ahmed Qorie, de tendência moderada.
Vigília e repercussão
Na Cisjordânia e na Faixa de Gaza, os palestinos estão grudados na TV e no rádio à espera de notícias. Temendo manifestações populares violentas, Israel reforçou a segurança nos assentamentos judaicos. A população palestina deixa claro que espera que Arafat tenha um sucessor ainda menos disposto a fazer acordos com Israel. "A não ser que o sucessor seja mais determinado e direto a respeito dos direitos fundamentais palestinos, ele nunca terá a confiança do povo", disse Khaled Ammar, de 30 anos, que rezava em uma mesquita de Gaza.
Na reunião da Faixa de Gaza, os 14 grupos religiosos e laicos que participam da rebelião palestina contra Israel tentaram demonstrar união. "Somos um povo em busca de liberdade, não tribos em luta", disse Mohammed Al-Hindi, dirigente da Jihad Islâmica, que estava escondido até comparecer ao encontro. "Exigimos a formação de uma liderança nacional unificada".
A União Européia, cujos líderes estão reunidos em Bruxelas, ressaltou a necessidade de pressionar por avanços no processo de paz, seja com ou sem Arafat. "A Europa vai continuar a fazer todos os esforços políticos possíveis para garantir que o Estado palestino se torne realidade", disse o chefe de política externa do bloco, Javier Solana, em entrevista coletiva.
O presidente dos Estados Unidos, George W. Bush, disse hoje que vai continuar a "trabalhar por um Estado palestino livre, que viva em paz com Israel", caso Arafat morra.
Redação Terra