Saiba o que diferencia coma de morte cerebral

04 de novembro de 2004 • 17h18 • atualizado às 17h18

A Rádio Pública Israelense anunciou hoje que o líder palestino Yasser Arafat estava clinicamente morto. A informação foi desmentida logo depois pelo hospital francês no qual ele se encontra internado. Conforme as emissoras de TV francesas, Arafat estaria em coma e internado na UTI desde a madruga de hoje.

Leia abaixo as diferenças nas definições de coma e morte cerebral:

Coma
Em 1959, Mollaret e Goullon definiram o coma como a condição em que se tem um cérebro morto em um corpo vivo.

O estado de coma é apresentado por ausência de consciência, mas com funções cerebrais automáticas ativas. O coração bate, há respiração e pode haver posturas motoras estranhas, com membros esticados ou totalmente dobrados. Os olhos permanecem fechados. Barulhos, movimentos e até mesmo dor não despertam o paciente. Este é o quadro típico do coma.

Na maioria das vezes, após cerca de três semanas após a instalação do coma, o paciente poderá abrir os olhos e adquirir o chamado ciclo vigília-sono, quando ele passará períodos com os olhos abertos e períodos com os olhos fechados, como se estivesse dormindo. Porém, os olhos não se fixam em algo ou alguém.

Às vezes ocorre o reflexo de preensão, quando o paciente agarra firmemente algo colocado em sua mão. Pode haver movimentos lentos dos membros, mastigação de alimentos. O paciente poderá emitir sons ininteligíveis através de estímulos dolorosos, mas nunca com significado. No entanto, a maioria dos pacientes não emite sons.

Há pacientes que permanecem em coma por anos. Alguns, quando recuperam a consciência, apresentam seqüelas neurológicas

Morte Cerebral

É a ausência total e irreversível da função da córtex e do tronco cerebral.

Conforme dados do Conselho Federal de Medicina, a definição tradicional de morte clínica tornou-se inadequada a partir dos avanços da medicina, como a ressuscitação cardíaca, a circulação extracorpórea e os respiradores artificiais. Passou-se então a aceitar como conceito de morte o da morte encefálica ou cerebral, inclusive com o respaldo da maior parte das autoridades civis e religiosas.

Os pré-requisitos para a avaliação de morte cerebral são:

  • Coma profundo;
  • Apnéia (uso de ventilação mecânica);
  • Lesão cerebral estrutural irreversível;
  • Afastar causas de depressão do tronco cerebral: drogas depressoras (álcool, anestésicos, barbitúricos, benzodiazepínicos, meprobamato, metaqualona), bloqueadores musculares ou aminoglicosídeos, depressões fisiológicas com hipotermia (T<32° C) e Miastenia Gravis;
  • Se houver intoxicação exógena a morte não pode ser declarada antes que o intoxicante seja metabolizado ou que a circulação intracraniana seja testada;
  • Idade superior a 07 dias e ausência de prematuridade

    Critérios clínicos para a determinação da parada irreversível da função cerebral:

  • Coma aperceptivo com arreatividade inespecífica, dolorosa e vegetativa, de causa definida;
  • Ausência dos reflexos: corneano, oculoencefálico, oculo-vestibular, vômito, deglutição e tosse;
  • Prova de Apnéia positiva
  • Redação Terra
     
    Enviar para amigos
    Fechar por:
    Enviar para amigos
    Fechar por:

    Imprimir

    Fechar
    Mais vistos

    Notícias

    1. Carregando...
    leia mais notícias »