Terremotos matam 17 e ferem 1000 pessoas no Japão

23 de outubro de 2004 • 06h39 • atualizado às 06h39
Violento tremor de terra de 6,8 graus na escala Richter atingiu o Japão. Foto: AP
Violento tremor de terra de 6,8 graus na escala Richter atingiu o Japão.
23 de outubro de 2004
Foto: AP

O violento tremor de terra de 6,8 graus na escala Richter que sacudiu hoje o norte do Japão causou pelo menos 20 mortes ou desaparecimentos (17 pessoas morreram e três estão desaparecidas) e deixou cerca de mil pessoas feridas. Além dos quatro grandes terremotos que sacudiram a província de Nigata, foram registrados durante cinco horas outros 143 pós-abalos nessa zona litorânea, situada cerca de 250 quilômetros ao noroeste de Tóquio.

Segundo o Serviço Meteorológico do Japão, citado pela agência de notícias Kyodo, esta é a primeira vez que ocorrem quatro terremotos com uma magnitude de seis na escala japonesa de sete. Fontes do serviço de bombeiros de Ojiya, uma das cidades mais atingidas, acrescentaram ao anterior número de vítimas pelo menos três crianças, que teriam morrido sob os escombros da casa em que se encontravam, segundo a Kyodo.

O primeiro-ministro Junichiro Koizumi ordenou a seus ministros que fizessem todos os esforços possíveis para ajudar as vítimas. O ministro da Defesa convocou uma equipe de emergência e enviou 11 aviões para avaliar os danos nas áreas afetadas.

Cerca de 280 mil casas ficaram sem energia elétrica em Nigata, afirmou a empresa Tohoku Electric Power Co., mas o aeroporto da cidade não foi afetado. "No início, senti um golpe vertical e depois os tremores continuaram por um momento", relatou Kyoichi Sato, um funcionário encarregado das situações de emergência em Nagaoka, em Nigata.

O terremoto sacudiu os edifícios da capital japonesa durante vários minutos e diversos movimentos foram registrados nos 30 minutos posteriores ao começo do tremor, incluindo um de 6,3 graus na escala Richter às 18h37 (9h37 GMT), segundo a agência meteorológica japonesa. Entretanto, esta afirmou que não há risco de tsunamis (ondas gigantes), e não houve registros de feridos ou danos na capital japonesa.

Em Tokamachi, um homem de 30 anos morreu quando uma parede de um restaurante caiu em cima dele, afirmou um empregado do Hospital Tokamachi, informa a AFP. Várias casas ruíram e outro trem-bala descarrilou parcialmente por causa dos tremores que abalaram a região montanhosa, situada a 250 quilômetros de Tóquio.

Cerca de 42 mil pessoas foram encaminhadas para escolas e outras instalações públicas, afirmou a mídia local. Vários incêndios surgiram em Nagaoka, cidade com cerca de 200 mil habitantes, mas a maioria foi apagada rapidamente.

Oito carros de um trem-bala, veículo que viaja a 300km por hora, descarrilaram perto de Nagaoka, mas ninguém ficou ferido, afirmaram autoridades do Ministério dos Transportes. Foi a primeira vez que um trem-bala descarrilou desde que os trens de alta velocidade foram inaugurados no país em 1964, afirmaram representantes do ministério. O tráfego ferroviário foi suspenso na região, onde dois túneis também desabaram.<

"Eu não podia me mover, não podia fazer nada. Tudo estava caindo das prateleiras, tudo. A TV despencou", afirmou uma moradora de Ojiya à NHK. O governo montou um centro para cuidar da crise em Tóquio. Autoridades temem novos deslizamentos de terra em áreas atingidas nos últimos dias por fortes chuvas.

O Japão foi atingido este ano por um recorde de 10 tufões. Um deles matou pelo menos 80 pessoas no início desta semana. A Agência Meteorológica do Japão alertou para a possibilidade de novos tremores.

O país está sobre uma das áreas sísmicas mais ativas do planeta, onde ocorrem cerca de 20% dos terremotos do mundo com magnitude acima de seis graus na escala Richter.

Este foi o terremoto que fez mais vítimas no Japão desde o de Kobe, que deixou 6.433 mortos e 43.700 feridos em janeiro de 1995. Dezesseis pessoas morreram e quatro estão desaparecidas.

Redação Terra
 
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