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Iemenita de 12 anos forçada a se casar morre durante parto

15 de setembro de 2009 11h18

Uma menina de 12 anos morreu durante o parto, que também matou o bebê, nesta segunda-feira, no Iêmen, informa o site da CNN. Fawziya Ammodi, que foi forçada a se casar, passou três dias em trabalho de parto e acabou morrendo no hospital, devido a uma forte hemorragia, segundo o Seyaj, organização internacional que luta pelos direitos da criança.

"Embora a causa de sua morte tenha sido a carência de cuidados médicos, o real motivo diz respeito à falta de educação no Iêmen e o fato de se realizaram casamentos com crianças", afirmou o presidente do Seyaj, Ahmed al-Qureshi.

Nascida em uma família pobre, na cidade iemenita de Hodeidah, Fawziya foi forçada a sair da escola para casar-se com um homem de 24 anos, no ano passado, afirmou Al-Qureshi.

O noivado de crianças é um hábito comum no Iêmen, especialmente na região da costa do Mar Vermelho, onde costumes tribais ainda influenciam muito a cultura local. Hodeidah é a quarta maior cidade do país e uma importante localidade portuária.

No Iêmen, mais da metade das jovens casam-se antes dos 18 anos de idade. Na maioria das vezes, com homens mais velhos, muitos deles com mais de uma esposa, aponta um estudo da Universidade de Sanaa, na capital iemenita.

Muitas vezes, famílias com o orçamento restrito oferecem suas filhas em troca de dotes. O casamento significa que as meninas não serão mais um peso nas finanças da família. Com frequência também, os pais acertam com o futuro marido que ele espere até a menina ficar mais velha para que se consume o casamento.

A Unicef emitiu uma declaração, na segunda-feira, em que afirmava que "o casamento infantil viola os direitos das crianças da maneira mais deplorável. Principalmente pelos riscos à saúde para a menina e para o bebê, quando ela fica grávida."

"Meninas que dão à luz antes dos 15 anos de idade têm cinco vezes mais chance de morrer durante o parto, do que mulheres com seus 20 anos. O casamento de meninas tão jovens lhes nega o direito à infância, as priva de educação e lhes rouba a inocência", dizia ainda o documento.

"Muito mais deve ser feito para divulgar casos ocultos como esse para que se possa prevenir mortes como a da menina Fawziya, 12 anos, e seu bebê", concluiu o comunicado da organização.

O Parlamento do Iêmen tentou, em fevereiro, aprovar uma lei que reduzia a idade mínima permitida para o casamento para 17 anos. A iniciativa foi negada, já que muitos parlamentares argumentaram que tal lei violava a Sharia, ou Lei Islâmica, que não estipula idade mínima para o matrimônio.

Redação Terra