EUA: em busca de perfil qualificado, imigração legal cresce

13 de agosto de 2009 • 14h44 • atualizado às 14h50
Gráfico mostra a evolução do número de imigrantes nos Estados Unidos
Gráfico mostra a evolução do número de imigrantes nos Estados Unidos
13 de agosto de 2009
Terra

Daniela Fetzner

Direto de Porto Alegre


O governo americano publica anualmente, desde o final do século XIX, relatórios estatísticos sobre a imigração nos Estados Unidos. A evolução desses dados ao longo dos anos permite identificar desde circunstâncias econômicas e políticas mais abrangentes - como guerras e crises financeiras - até as mais específicas, como alterações na legislação do país.

As décadas de 1930 e 1940, por exemplo, registraram uma queda brusca no número de novos residentes admitidos no país. Entre 1920 e 1929, os EUA receberam um total de 4.295.510 imigrantes legais. Na década seguinte, esse número caiu para 699.375.

Esta queda ilustra não apenas o impacto da Grande Depressão e da Segunda Guerra Mundial, mas também o de novas medidas anti-imigração adotadas pelo governo americano, diz Arthur Lima de Avila, mestre em História dos EUA. A Lei Johnson-Reed de Imigração, de 1924, criou cotas por nacionalidade para restringir a admissão de residentes estrangeiros, em um cálculo que passou a impedir a entrada de imigrantes asiáticos - uma ofensiva que havia começado em 1882, com o Ato de Exclusão Chinesa.

Crise econômica e filtros raciais
As restrições à imigração nessa época eram um fenômeno mundial motivado pela grave crise econômica e pelo índice extremamente elevado de desemprego, explica Avila. "O imigrante sempre foi visto como um concorrente", diz o historiador, "mas nesse momento deixou de ser absorvido pelo mercado".

As cotas por nacionalidade, no entanto, ilustram o início de uma espécie de seleção étnica acompanhada de um aumento significativo no número de deportações. De acordo com Avila, além dos asiáticos, que respondiam então pela maior fatia de imigração, os Estados Unidos passaram a evitar a admissão de europeus considerados "de segunda linha" - como italianos, russos e eslavos pouco qualificados - e mexicanos - que deixaram de ser considerados "brancos" nos documentos oficiais e passaram para a categoria de "latinos", evidenciando a distinção racial.

As restrições impostas pelo Ato de 1924 foram amenizadas por reformas posteriores na legislação, incluindo a anulação do Ato de Exclusão Chinesa em 1943, e os dados divulgados pelo governo americano apontam uma tendência de crescimento no fluxo anual de imigrantes legais desde a Segunda Guerra Mundial.

Relação ambígua
"Os Estados Unidos são um país de imigrantes, mas sempre tiveram uma relação muito ambígua com a imigração", analisa Arthur Lima de Avila. Os mexicanos, por exemplo, responderam por 69% dos imigrantes ilegais deportados dos EUA em 2008, segundo o relatório anual do governo. Ainda assim, diz Avila, o governo faz "vista grossa" para muitos mexicanos ilegais que têm um papel importante como mão-de-obra não-especializada em muitos estados americanos. "Eles são indesejáveis, mas essenciais", complementa.

Hoje, no entanto, a imigração legal nos Estados Unidos é mais diversificada, e o governo dá preferência a estrangeiros altamente qualificados que possam dar uma contribuição mais "produtiva" ao país. O setor de tecnologia e o meio acadêmico são exemplos de áreas que absorvem esse novo tipo de imigrante desejável.

Novo crescimento
Nos últimos oito anos, a média anual de vistos de residência permanente concedidos a estrangeiros é superior a um milhão - quatro vezes mais do que os 250 mil vistos expedidos na década de 1950.

O relatório do governo americano indica, por exemplo, que o salto no número de imigrantes legais em torno de 1990 reflete a legalização de 2,7 milhões de imigrantes ilegais, com base na reforma da legislação em 1986.

Para Avila, mesmo com uma nova reforma, essa tendência não deve sofrer grandes alterações, pois o Partido Democrata tem um histórico "relativamente liberal e realista" em relação às políticas de imigração.

Redação Terra
 
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