Secretário-geral afirma que OEA deve suspender Honduras

04 de julho de 2009 • 21h14 • atualizado às 23h15
Milhares protestaram contra o golpe de Estado neste sábado Foto: EFE
Milhares protestaram contra o golpe de Estado neste sábado
04 de julho de 2009
Foto: EFE

O secretário-geral da Organização dos Estados Americanos (OEA), José Miguel Insulza, afirmou neste sábado que os chanceleres devem aplicar o artigo 21 da Carta Democrática Interamericana e realizar a suspensão de Honduras por causa do golpe de Estado do domingo passado.

A decisão de Honduras de se distanciar do grupo regional aconteceu depois que o governo de transição rejeitou uma exigência da OEA de restaurar na presidência Manuel Zelaya, derrubado do poder no domingo passado por tropas militares na pior crise política na América Central desde a invasão do Panamá, em 1989.

Honduras, um país pobre que depende da exportação de café e têxteis, pode se tornar o segundo país na história a ser suspenso pelo mais importante organismo diplomático das Américas. O primeiro foi Cuba, depois que Fidel Castro instituiu um governo socialista na ilha.

O titular da OEA disse que o novo governo e a Corte Suprema de Honduras "não têm nenhuma disposição para modificar sua conduta" para restituir o deposto presidente, restaurar a democracia e o Estado de direito, e portanto "não existe alternativa" para a suspensão desse país.

O novo Executivo hondurenho anunciou ontem o abandono do país da OEA após a visita de Insulza a Tegucigalpa, onde se reuniu com representantes do Poder Judiciário, das igrejas, candidatos presidenciais, representantes de grupos sociais e diplomatas, entre outros, para pedir o retorno de Zelaya.

No entanto, segundo o secretário-geral-assistente da instituição, Albert Ramdin, a medida não tem efeito porque o governo provisório não pode se retirar da OEA. "Apenas governos legítimos podem se retirar", afirmou.

O presidente deposto, que acompanha neste sábado a Assembleia Geral extraordinária da OEA, confirmou que viajará neste domingo à capital do país acompanhado de "vários presidentes" e afirmou que o governo provisório deve devolver a democracia a seu país, segundo declarações feitas à rede venezuelana Telesur.

Com agências

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