No Iraque, vice dos EUA pede que país supere diferenças

04 de julho de 2009 • 20h35 • atualizado às 21h58

O Iraque tem um caminho difícil a sua frente para terminar com as divisões, os conflitos e construir uma paz duradoura, afirmou nesta sexta-feira o vice-presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, em viagem ao país. Biden, a quem o presidente Barack Obama pediu que coordenasse as políticas americanas para o Iraque, passou o dia em reuniões com o premiê iraquiano, Nuri al-Maliki, e autoridades iraquianas.

Os Estados Unidos retiraram as suas tropas de algumas cidades iraquianas nesta semana, seguindo os termos do acordo bilateral de segurança que prevê a saída total até 2012. No entanto, há preocupações de que o Iraque ainda não tenha alcançado os progressos políticos necessários para evitar a violência.

"O Iraque percorreu uma grande distância no último ano, mas ainda há um caminho difícil pela frente para encontrar paz duradoura e estabilidade", afirmou Biden. "Ainda há medidas políticas a serem tomadas. Os iraquianos devem usar o processo político para resolver as suas diferenças. Estamos prontos para ajudar nesse processo."

Horas depois da fala do vice americano, simpatizantes do clérigo radical Moqtada al-Sadr protestaram em um subúrbio pobre de Bagdá contra a visita de Biden.

Autoridades americanas afirmaram que Biden havia usado os seus encontros no Iraque para frisar às autoridades do país que o progresso dependeria de os iraquianos encontrarem as suas próprias soluções. O premiê Maliki costuma ser acusado de agir devagar com o processo de reconciliação. "Foi direto e honesto", afirmou uma autoridade americana. Entre os temas discutidos, estiveram disputas territoriais, integração de milícias pró-governo na política institucional e o equilíbrio entre governos central e locais. "Os inimigos do Iraque querem retomar a violência interna. Eles falharão", declarou Biden.

Manifestações
Em reação à visita de Biden, o gabinete de Maliki divulgou um comunicado defendendo os feitos do governo para a reconciliação. O premiê buscou o apoio dos sunitas ao reprimir milícias xiitas no ano passado e ao anistiar milhares de presos sunitas.

No entanto, a situação é diferente quando o tema é reconciliação com os integrantes do partido banido de Saddam Hussein. "O primeiro-ministro enfatizou que o Iraque está comprometido com o projeto de reconciliação nacional", afirmou o comunicado. "Conduto, o Partido Baath não tem conexão com a reconciliação nacional, está proibido, por ser responsável pela destruição pela qual o Iraque tem passado."

Centenas, talvez milhares, de moradores de Sadr City, em Bagdá, cantaram "abaixo os Estados Unidos" nesta sexta-feira e queimaram bandeiras americanas, em protesto por causa da visita de Biden. Uma manifestação menor ocorreu em Kerbala, no sul xiita.

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